Statements

Estamos nos mobilizando no Brasil. Saiba por quê.

Declaração do Observatório da Internacional Progressista
No dia 4 de outubro, os mais de 150 milhões de eleitores do Brasil irão às urnas para o primeiro turno de uma eleição presidencial que ocorre sob a sombra do ataque sofrido na última disputa.

Em outubro de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva derrotou o presidente em exercício, Jair Bolsonaro. Durante meses antes da eleição, Bolsonaro atacou o sistema de voto eletrônico do Brasil com alegações que foram repetidamente rejeitadas pelas autoridades eleitorais e contestadas por observadores internacionais. Após sua derrota, seus apoiadores se recusaram a aceitar o resultado. Em 8 de janeiro de 2023, milhares deles invadiram e saquearam o Congresso, o Supremo Tribunal Federal e a residência presidencial, na tentativa de anular o resultado.

Em setembro de 2025, a Suprema Corte do Brasil condenou Bolsonaro por liderar uma conspiração para impedir a transferência legal do poder e o sentenciou à pena de prisão. Agora, seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro, é o principal adversário do presidente Lula nas eleições deste ano.

Os ataques ao sistema eleitoral brasileiro continuaram. Em julho, Flávio Bolsonaro reacendeu as dúvidas sobre as urnas eletrônicas, incluindo a falsa alegação de que elas teriam sido fornecidas pela Smartmatic. O Brasil também negou vistos a dois funcionários do governo Trump que, segundo autoridades brasileiras, planejavam visitar o país para lançar dúvidas sobre a integridade do sistema eleitoral.

O governo Trump já empregou coerção econômica para interferir na política interna brasileira. Em 2025, Washington impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e as vinculou explicitamente ao processo contra Jair Bolsonaro, impondo ao mesmo tempo sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal responsável por seu julgamento e revogando os vistos de outros juízes. Trump exigiu publicamente que o Brasil deixasse Bolsonaro em Paz ("LEAVE BOLSONARO ALONE!").

Em maio de 2026, Flávio Bolsonaro se reuniu com Trump no Salão Oval. Posteriormente, Trump o descreveu como “um jovem inteligente”. Em julho, Washington introduziu uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, envolvendo bilhões de dólares em exportações brasileiras.

Os Estados Unidos classificaram ainda duas grandes organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas, o que poderia ser usado para justificar ações extraterritoriais e extrajudiciais dos EUA, em consonância com o corolário de Trump à Doutrina Monroe. Ao discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas em 22 de setembro, Lula alertou que o Brasil estava mais uma vez enfrentando “interferência externa nos processos eleitorais”.

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, disse ele. “Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos ou externos, atentem contra a vontade popular.”

Lula e Flávio Bolsonaro lideram a disputa, com pesquisas recentes colocando-os dentro da margem de erro em um possível segundo turno. Se nenhum candidato obtiver mais da metade dos votos válidos em 4 de outubro, os dois candidatos mais votados disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

A eleição também é uma disputa entre programas políticos completamente diferentes. O governo de Lula proibiu as apostas online diante de evidências de que 10,9 milhões de brasileiros apresentavam comportamentos de jogo considerados arriscados ou problemáticos e anunciou um plano para comprar dívidas domésticas inadimplentes com descontos de pelo menos 90%, repassando a redução do valor da dívida aos próprios devedores. Flávio Bolsonaro denunciou a proibição das apostas como “populista” e está fazendo campanha em prol da privatização, combinada com cortes de impostos e gastos, ao mesmo tempo em que faz da libertação de seu pai um objetivo político central.

É nesse contexto que a Internacional Progressista está se mobilizando no Brasil. O Observatório está enviando uma delegação de alto nível composta por parlamentares, ex-ministros, líderes políticos, acadêmicos, advogados, organizadores e observadores eleitorais experientes de todo o hemisfério e além.

A delegação observará, monitorará e apresentará relatórios de forma independente sobre a integridade do processo eleitoral. Será dada atenção especial ao funcionamento do sistema de votação eletrônica do Brasil; à violência política e à intimidação; à desinformação eleitoral; às redes coordenadas de bots e contas digitais; à conduta de plataformas online e consultores políticos estrangeiros; e às tentativas de governos estrangeiros ou outros atores externos de interferir na livre expressão do povo brasileiro.

O que está em jogo nesta eleição se estende além de todo o hemisfério. Trump prometeu reafirmar o domínio dos EUA nas Américas, utilizou força militar na Venezuela e reuniu um bloco crescente de governos de extrema direita em apoio à sua agenda. Após as recentes vitórias da direita em toda a América Latina, o Brasil se destaca como o último grande obstáculo a uma onda de governos alinhados a Trump.

Em 4 de outubro, está em jogo não só a resiliência da democracia brasileira após uma tentativa de golpe, mas também a capacidade do maior país da América Latina de determinar seu próprio destino político e econômico em meio a tarifas, pressão diplomática e uma renovada intervenção dos EUA. É por isso que a Internacional Progressista está se mobilizando no Brasil: para observar a votação, documentar ameaças à sua integridade e defender o direito do povo brasileiro de determinar seu futuro, livre de intimidação ou interferência estrangeira.

Available in
EnglishSpanishPortuguese (Brazil)
Date
30.09.2026
Progressive
International
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