Nova Délhi: As autoridades da Malásia inspecionaram e apreenderam um contêiner no segundo maior porto do país após receberem informações de transporte de mercadorias suspeitas de serem destinadas à exportação para Israel, informou a Agência de Controle e Proteção de Fronteiras da Malásia (AKPS) no sábado, 8 de agosto.
O contêiner foi apreendido em 7 de agosto no Porto de Tanjung Pelepas, em Johor, segundo a AKPS, em uma operação “baseada em informações de inteligência”. A agência não identificou o contêiner nem revelou a natureza da carga.
No entanto, a campanha “No Harbour for Genocide” (Nenhum Porto para o Genocídio), que luta contra o transporte marítimo de mercadorias militares e de dupla utilização para Israel, afirmou ter identificado um contêiner em Tanjung Pelepas programado para ser enviado a uma instalação da Elbit Systems em Yokneam, Israel. A campanha identificou o número do contêiner como XHCU2519500. O comunicado informou que o contêiner chegou de Manila em 27 de julho e estava programado para partir de Tanjung Pelepas a bordo do Berlin Maersk em 9 de agosto.
Os registros de embarque da campanha mostram que o contêiner foi recebido em Manila em 4 de julho, carregado no Zhong Gu Chang Chun em 15 de julho e chegou a Tanjung Pelepas em 27 de julho. Foi descarregado no porto da Malásia no mesmo dia. O registro de rastreamento indicou que deveria ser carregado no Berlin Maersk às 11:00 do dia 9 de agosto, com partida prevista do navio às 17:00.
O relatório da campanha não especificou o conteúdo do contêiner nem identificou a fábrica filipina que o enviou. Afirmou, no entanto, que o destino declarado da remessa era a unidade da Elbit Land Systems em Yokneam, descrita como fabricante de sistemas terrestres militares e munições.
A AKPS informou que sua investigação inicial constatou que a remessa era suspeita de violar o Item 15 do Segundo Anexo da Portaria Aduaneira (Proibição de Exportações) de 2023, que proíbe a exportação direta ou indireta de mercadorias para Israel, de acordo com a política do governo da Malásia.
A agência de fronteiras observou que a investigação continuava em conjunto com as autoridades competentes para determinar a natureza, as especificações, o uso pretendido e a classificação das mercadorias. Também será determinado se a remessa contém itens estratégicos sujeitos a controles nos termos da Lei de Comércio Estratégico de 2010 da Malásia e legislação relacionada.
“A Malásia não vai tolerar qualquer ação que viole políticas, sanções e leis do país relativas a Israel”, afirmou a agência, acrescentando que qualquer tentativa de exportar mercadorias direta ou indiretamente para Israel, em violação à legislação e à política governamental da Malásia, enfrentaria “medidas de fiscalização rigorosas”.
O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, escreveu no X que a medida demonstrou a determinação do governo em impedir que se torne um canal de comércio de apoio às ações de Israel contra os palestinos.
“Isso também está de acordo com os compromissos da Malásia com o Grupo de Haia e com a proibição em vigor desde dezembro de 2023 da utilização de portos do país por navios israelenses e navios que transportem carga para Israel”, afirmou Anwar em comunicado. Acrescentou que a Malásia continuaria a defender “os princípios da humanidade, da justiça e do direito internacional” em defesa dos direitos dos palestinos.
O Grupo de Haia, um fórum multilateral fundado em janeiro de 2025 para a ação coordenada de governos em defesa do direito internacional, comemorou a apreensão.
O grupo afirmou que a ação deu “efeito prático” às obrigações decorrentes do parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça de julho de 2024, que exige que governos não prestem ajuda ou assistência na manutenção da situação criada por Israel em território palestino ocupado.
Em comunicado, Varsha Gandikota-Nellutla, secretária executiva do Grupo de Haia, afirmou que a detenção demonstrou que o direito internacional precisa ser aplicado por meio de ações concretas.
“Ao interceptar a carga, a Malásia cumpriu as obrigações que vinculam todos os Estados-membros da ONU nos termos do direito internacional”, disse ela, ao mesmo tempo em que exortou outros governos a se juntar ao Grupo de Haia.
A apreensão também ocorre em meio a um exame crescente das cadeias de abastecimento internacionais ligadas à Elbit Systems. Um relatório da Anistia Internacional publicado em 30 de julho constatou que 2.596 remessas de armas, munições, peças e componentes foram enviadas da Índia para Israel entre 7 de outubro de 2023 e 30 de novembro de 2025.
A investigação da Anistia identificou empresas de defesa israelenses, incluindo a Elbit Systems, entre os destinatários das remessas indianas relacionadas a assuntos militares. O relatório indicou que as remessas incluíam projéteis de artilharia de alto poder explosivo de 155 mm fornecidos à Elbit Systems, bem como ogivas explosivas para a munição vagante SkyStriker da empresa. A Índia foi alertada a encerrar negócios relacionados à defesa com a Elbit e outras empresas israelenses citadas no relatório.
A organização internacional de direitos humanos informou em dezembro que o Holger G, um navio de bandeira portuguesa, partiu da Índia com 440 toneladas de componentes para bombas de morteiro, projéteis e aço de uso militar com destino a Haifa. A organização afirmou ter verificado que a carga incluía ligas metálicas utilizadas em projéteis de artilharia e, provavelmente, componentes para mísseis e foguetes, e deveria ser entregue à Elbit Systems e à sua subsidiária, a IMI Systems.
Esta matéria foi atualizada com o comunicado de imprensa da No Harbour for Genocide.
