“Levamos muito a sério o corolário Trump para a Doutrina Monroe”, declarou na semana passada, direto da selva panamenha, Pete Hegseth—que se autodenomina Secretário de Guerra dos EUA. Diretamente no Panamá, ele inspecionava o exercício militar PANAMAX, liderado pelos EUA, que simulava operações para “garantir o controle de terrenos estratégicos”. Hegseth prometeu alcançar, “em terra, o mesmo efeito” da campanha de bombardeios que matou mais de 200 pessoas a bordo de embarcações no Caribe e no Pacífico oriental no último ano.
A doutrina resgatada recebeu seu nome mais coloquial, Doutrina Donroe, de Donald Trump em janeiro, logo após as forças dos EUA atacarem a Venezuela e sequestrarem o presidente Nicolás Maduro. Sete meses depois, os Estados Unidos controlam a venda de petróleo venezuelano e as contas às quais as receitas obtidas são destinadas. Até o final de julho, mais de 13 bilhões de dólares haviam passado por essas contas—para se ter uma ideia, apenas em julho, 786 mil barris por dia foram enviados para os Estados Unidos. Trump deixou de lado a retórica da transição democrática. "Pagamos pela guerra muitas, muitas, muitas vezes com o que extraímos", disse ele a uma multidão em Las Vegas, no início deste mês. "Ao vencedor pertencem os espólios."
Em outras partes, a pressão assume outras formas. O Panamá tem enfrentado pressões para restringir a participação chinesa nas imediações do canal, ao mesmo tempo em que tropas dos EUA retornam em maior número. O Brasil foi alvo de novas tarifas depois que Washington determinou que suas políticas de comércio digital e de pagamentos eletrônicos prejudicam injustamente o comércio norte-americano. Entre as políticas questionadas está o Pix, o sistema público de pagamentos instantâneos que permite aos brasileiros movimentar dinheiro sem passar pelas bandeiras de cartão dos EUA.
Em março, os presidentes da Argentina, do Equador, de El Salvador, de Honduras e representantes de outros governos de direita da região reuniram-se com Trump em Miami para lançar o "Escudo das Américas" (Shield of the Americas), iniciativa liderada pelos EUA. "O cerne do nosso acordo", disse-lhes o presidente americano, "é o compromisso de utilizar força militar letal". O chileno José Antonio Kast aderiu à iniciativa antes mesmo de assumir o cargo; a Colômbia ingressou na coalizão dias após a posse de Abelardo de la Espriella, aliado de Trump, neste mês. A estratégia de Washington para o hemisfério encontra adeptos dispostos entre as elites latino-americanas.
O governo Trump divulgou o plano que conecta esses eventos. Sua Estratégia de Segurança Nacional promete "restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental": ampliando o acesso militar dos EUA, utilizando tarifas como instrumento de pressão comercial e aproveitando o domínio americano nas áreas de finanças e tecnologia para afastar governos dos rivais de Washington.
Duzentos e três anos atrás, o presidente James Monroe também traçou uma linha em torno das Américas. Sua doutrina advertiu as potências europeias contra novas intervenções nas repúblicas recém-independentes do hemisfério. Três anos após o pronunciamento de Monroe, Simón Bolívar convocou outra reunião. Em junho de 1826, delegados e delegadas das jovens repúblicas americanas reuniram-se no Congresso do Panamá. Sua independência mal havia sido consolidada. Originalmente, Bolívar não pretendia convidar os Estados Unidos. Seu projeto era unir as novas repúblicas para que a independência em relação aos antigos impérios não as deixasse simplesmente dependentes de novas potências. Dois séculos depois, o Congresso do Panamá permanece um projeto inacabado.
Neste fim de semana, esse marco será celebrado a 3.000 milhas ao sul da Cidade do Panamá. Mais de 150 parlamentares, ministros, presidentes e líderes políticos de 15 países e territórios das Américas se reunirão em Montevidéu para o terceiro Congresso Pan-Americano. Fundado em Bogotá em 2024 e ampliado na Cidade do México no ano passado, o Congresso reúne legisladores, legisladoras e forças políticas de todo o hemisfério—incluindo uma delegação do Congresso dos EUA—para desenvolver um programa comum para o futuro da "América".
Os participantes debaterão como os países podem manter a soberania econômica quando o acesso ao mercado dos EUA pode ser retirado como punição; como construir uma infraestrutura digital sem se submeter às corporações que dominam as finanças e a tecnologia americanas; como enfrentar o crime organizado sem entregar o seu território às forças armadas de outro país; e como orientar as extraordinárias reservas de energia, minerais, terras e capacidade humana do hemisfério para as necessidades dos seus povos. Quer sejam os Socialistas Democráticos da América, o Libre Honduras, o Pacto Histórico ou o Frente Amplio do Chile, os membros da Internacional Progressista estarão no centro do intercâmbio. Da integração industrial e da soberania digital às abordagens comuns sobre a paz e a proteção social, as propostas começam a responder à questão que Bolívar deixou inacabada há dois séculos: quais instituições e capacidades podem tornar a soberania real?
Dois séculos depois de Monroe e Bolívar, projetos rivais estão, mais uma vez, absolutamente explícitos. Washington promete “preeminência americana no Hemisfério Ocidental”. Montevidéu oferece outro princípio: "Solidariedade entre os povos. Soberania entre as nações".
Sem Punição e Sem Inibição: A Responsabilidade Corporativa após Grenfell
Nove anos após o incêndio na Torre Grenfell (Londres), a empresa cujo produto inflamável revestia o edifício ainda não foi efetivamente responsabilizada. O revestimento Reynobond PE, da Arconic, foi uma das "causas principais" da rápida propagação das chamas que mataram 72 pessoas em 14 de junho de 2017. Em 2023, a Arconic firmou acordos referentes a duas ações judiciais ligadas ao incêndio. Hoje, um novo relatório da Common Wealth revela que os acionistas da empresa receberam US$ 31 milhões a mais em indenizações do que as famílias e as vítimas que perderam tudo. A grande maioria das indenizações foi paga por seguradoras, cabendo à Arconic pagar apenas US$ 2 milhões com recursos próprios. "As empresas não parecem se importar com o impacto de sua conduta nas pessoas comuns", afirmou Leela Jadhav, pesquisadora-chefe da Common Wealth. "Elas se preocupam muito mais com seus acionistas e com os seus lucros. Essa é uma tendência crescente em todo o mundo que precisa ser enfrentada—e é isso que nosso projeto espera abordar."
Abahlali baseMjondolo relembra Lindokuhle Mnguni
Nesta semana, o movimento Abahlali baseMjondolo—membro da Internacional Progressista—relembra Lindokuhle Mnguni, uma liderança do movimento assassinado em Durban em 20 de agosto de 2022. Mnguni, que presidia a Comuna eKhenana do Abahlali e atuava como líder na Liga da Juventude, foi baleado várias vezes em sua casa após passar meses escondido. Sua companheira, Sindiswa Ngcobo, também foi baleada, mas sobreviveu. Ele tinha 28 anos na época de sua morte. A Internacional Progressista homenageia sua luta por terra, dignidade e liberdade.
13 de agosto de 1926 - Nasce Fidel Castro: Em 13 de agosto de 1926, nascia o revolucionário cubano Fidel Castro. “Quando ele fala com as pessoas na rua, elas o chamam de Fidel”, escreveu Gabriel García Márquez. "Eles se dirigem a ele informalmente, discutem com ele, reivindicam-no. É então que se descobre o ser humano incomum que o reflexo da sua própria imagem não nos deixa ver. Este é o Fidel Castro que acredito conhecer."
Este era o "ser humano incomum" que, das montanhas da Sierra Maestra às planícies do sul de Angola, jamais se esquivou da luta pela libertação. O Fidel que sobreviveu a mais de 600 tentativas de assassinato para construir o socialismo em uma pequena ilha caribenha, a apenas 90 milhas do coração do imperialismo. O Fidel que repudiava a iconografia, recusava reconhecimentos e que, ao ser perguntado sobre o que mais desejava fazer neste mundo, respondia de imediato: "ficar parado numa esquina".
Hoje, enquanto o governo Trump se prepara para invadir Cuba, o centenário de Fidel assume particular importância. Ele nos lembra que, apesar da guerra nas sombras travada por Washington ao longo de décadas, a Revolução Cubana perdura.
Para marcar o centenário de El Comandante, Workshop da Internacional Progressista lançou um pôster comemorativo de edição limitada. Toda a renda obtida com a venda desse produto de qualidade museológica será destinada a apoiar nossas campanhas internacionalistas.
15 de agosto de 1947 – Dia da Independência da Índia: A Índia conquistou sua independência do domínio colonial britânico em 15 de agosto de 1947. “Há muito tempo, firmamos um pacto com o destino, e agora chega o momento de honrarmos nossa promessa—não de forma absoluta ou plena, mas de maneira muito substancial”, disse Jawaharlal Nehru, o primeiro Primeiro-Ministro da Índia e cofundador do Movimento Não Alinhado, enquanto o país se libertava das amarras da subjugação britânica. “Ao soar da meia-noite, quando o mundo dorme, a Índia despertará para a vida e a liberdade. Chega um momento—raro na história—em que deixamos o velho para trás e avançamos para o novo; em que uma era se encerra e a alma de uma nação, por muito tempo reprimida, encontra voz.”
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19 de agosto de 1953 – Irã: Em 19 de agosto de 1953, a CIA e o MI6 derrubaram o primeiro-ministro do Irã, Mohammed Mossadegh, eleito democraticamente. A Operação Ajax—codinome dado pela CIA à intervenção—marcou a primeira vez que os Estados Unidos utilizaram ações encobertas em tempos de paz para derrubar um governo estrangeiro. A fórmula de desestabilização e repressão desenvolvida pela CIA em agosto de 1953 foi aplicada novamente menos de 12 meses depois, na Guatemala, e repetida inúmeras vezes ao longo dos 70 anos seguintes. Mossadegh era um líder extremamente popular, conhecido por implementar reformas sociais e econômicas progressistas, incluindo a nacionalização da indústria petrolífera iraniana—medida que privou a Anglo-Iranian Oil Company (AIOC), de controle britânico, da riqueza petrolífera do país. O Reino Unido organizou um embargo de petróleo devastador contra o Irã em retaliação à agenda de soberania defendida por Mossadegh. "Quando os iranianos precisarem de dinheiro", disse o embaixador britânico em Teerã, "virão rastejando até nós".
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A obra Plus (Por los uruguayos silenciados), de Manuel Espínola Gómez (1921-2003), foi criada em 1974—um período de intensa agitação social, marcado pelo silenciamento sistemático de protestos e pelo desaparecimento de muitas pessoas durante a violenta ditadura militar, que durou 12 anos. Apesar do regime opressivo, Gómez exerceu influência significativa na arte uruguaia, destacando-se justamente durante o período de domínio da direita.
Ele experimentou diversos materiais, como tinta a óleo, grafite e caneta esferográfica, e participou ativamente de projetos sociais e políticos, chegando a criar o logotipo da Confederação Nacional dos Trabalhadores em 1967. Uma de suas obras mais conhecidas é o retrato Bolívar (An American Integration?), de 1983; a obra questiona a obra inacabada de Bolívar e antecedeu o retorno da democracia ao país, ocorrido em 1985.
