No domingo, 30 de agosto, mísseis dos EUA atingiram posições iranianas na Ilha de Larak, no Estreito de Ormuz, matando três pessoas. O ataque pôs fim a uma breve pausa nas ações cinéticas dos EUA, sugerindo que a estratégia de estrangulamento econômico—o "Dia D econômico"—não estava surtindo efeito.
O Comando Central dos EUA alegou a existência de uma "ameaça iminente"—a de que o Irã estaria se preparando para lançar foguetes carregados de minas navais no estreito. Teerã rejeitou as alegações. Desde a trégua de 7 de abril, Larak tem sido um ponto central de disputa no Golfo. Juntamente com as ilhas vizinhas de Qeshm e Hormuz, Larak situa-se no ponto mais estreito da passagem entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, detendo a chave para o controle das águas por onde já transitou um quinto do petróleo mundial.
O Irã reagiu rapidamente, com salvas de mísseis e drones contra bases dos EUA na região. Na terça-feira, 1º de setembro, os EUA atacaram novamente, o que Donald Trump classificou como um ataque "muito pesado", atingindo alvos em todo o país, incluindo uma cerimônia de casamento no sul do Irã. Ele afirmou que o Memorando de Islamabad—o acordo assinado com o próprio Irã em junho—"não vale o papel em que foi escrito". Trump ameaçou com um novo ataque que poderia deixar "muito pouco" da República Islâmica. Desde então, o Irã alterou sua doutrina para atacar preventivamente ameaças dos EUA na região.
As ambições de Washington são claras. "Nós tomamos a Venezuela", disse Trump na semana passada, enquanto os ataques prosseguiam, "e, essencialmente, tomamos o Irã". No entanto, a situação da frota dos EUA conta uma história diferente. Em duas reportagens investigativas publicadas neste mês, o New York Times documentou os efeitos devastadores da retaliação iraniana contra as forças americanas. Mísseis e drones iranianos destruíram grande parte da Instalação de Apoio Naval no Bahrein—o quartel-general da Quinta Frota e o principal centro logístico da Marinha no Golfo. Fujairah, o único outro porto da região onde porta-aviões são reabastecidos e as tripulações desembarcam para descanso, situa-se bem ao alcance dos mísseis iranianos. Desde então, a frota tem sido apoiada a partir de Diego Garcia, um atol situado a 3.500 quilômetros das áreas de operação dos porta-aviões no Golfo de Omã—uma base construída em uma ilha cuja população a Grã-Bretanha esvaziou para abrigá-la. A única alternativa fica a 6.000 quilômetros de distância, em Cingapura.
A logística impõe uma pressão enorme sobre as forças dos EUA. Segundo o Times, cerca de vinte navios de guerra americanos e aproximadamente 20.000 marinheiros e fuzileiros navais consomem mais de 420.000 refeições e cerca de 30 milhões de litros de combustível por semana. Todos esses recursos são transportados pelo Oceano Índico em um número reduzido de navios, que são lentos e estão expostos a riscos. O Chefe de Operações Navais, Almirante Daryl Caudle, admitiu que seu pessoal "não retornará" ao Bahrein tão cedo.
Há também o custo humano. O USS Abraham Lincoln partiu de San Diego em 21 de novembro de 2025 para uma missão planejada de sete meses. Ele só está retornando agora—após 266 dias no mar, 200 dos quais em combate, com mais de 10.000 missões aéreas realizadas e 1,5 milhão de libras (aprox. 700 toneladas) de armamento lançadas. Marinheiros e seus familiares relataram escassez de alimentos, racionamento de itens de higiene, correspondências extraviadas por meses e banheiros transbordando para áreas de higiene encharcadas de esgoto. O navio chegou a Pattaya, na Tailândia—uma antiga vila de pescadores que as forças dos EUA transformaram em um polo de exploração sexual durante a invasão do Vietnã—coberto de ferrugem. Para substituir o Lincoln, a Marinha está deslocando o USS George Washington do Japão, deixando o teatro de operações do Pacífico sem o seu único porta-aviões.
Em 2020, o estrategista norte-americano A. Wess Mitchell elaborou um estudo para o Escritório de Avaliação de Capacidades (Office of Net Assessment) do Pentágono sobre como os Estados Unidos poderiam evitar uma guerra em múltiplas frentes que já não teriam condições de travar. Sua Marathon Initiative aprofundou essa ideia em 2024. Washington enfrenta "um risco crescente de guerra em múltiplas frentes contra a Rússia, a China e o Irã", apontou a iniciativa, e deve, portanto, confrontar seus adversários sequencialmente—uma guerra mundial travada em etapas. Essa realidade é cada vez mais reconhecida em todo o Ocidente. A Procuradoria-Geral do Estado da Itália declarou recentemente que "uma guerra mundial fragmentada e híbrida está em curso, envolvendo, entre outros, a Itália..."
Mas a resposta eficaz e duradoura do Irã constituiu um obstáculo aos esforços dos Estados Unidos. O ataque dos EUA ao país pretendia ser uma guerra curta—decapitar a liderança, fomentar a agitação e confiscar os fluxos de petróleo. O conflito entra agora no seu oitavo mês e o Irã tem conseguido uma poderosa vantagem estratégica. O bloqueio não quebrou o domínio iraniano sobre Ormuz; a frota que impõe o bloqueio não consegue alimentar-se; o Pacífico perdeu o seu porta-aviões para manter abastecida a primeira frente; e a tecnologia militar difícil ou impossível de substituir, incluindo radares avançados e interceptadores de alta altitude, foi destruída e esgotada a taxas sem precedentes.
As derrotas nos capítulos iniciais desta guerra em múltiplas frentes podem muito bem impedir que os EUA expandam o conflito para outras regiões. No entanto, esse desfecho não está de forma alguma garantido. Os países do Ocidente estão embarcando na maior onda de rearmamento da história, colocando suas economias em "pé de guerra". Os estrategistas de Washington vislumbram uma sucessão de conflitos destinados a destruir os centros emergentes de soberania e a submeter toda a economia global ao domínio permanente do império. Nossa tarefa é clara: impedir que as guerras que vemos hoje se tornem trampolins para as próximas.
Crise de xenofobia continua
A crise de xenofobia persiste na África do Sul. A Campanha de Solidariedade Congolesa, organização membro da IP, relata que centenas de refugiados com documentação regular vivem há mais de três meses na Che Guevara Road, em Durban, após terem suas casas saqueadas por grupos fascistas que agiram com o apoio do Estado. Bienvenue Munga, um de seus companheiros, faleceu recentemente por não conseguir dar continuidade ao seu tratamento.
MTST leva campanha contra a semana de seis dias de trabalho à porta de Bolsonaro
O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), membro da IP, juntou-se ao movimento "Vida Além do Trabalho" em Brasília, no dia 2 de setembro, para exigir o fim da jornada de trabalho brasileira de seis dias de atividade e um de folga. Os manifestantes reuniram-se em frente à mansão de Flávio Bolsonaro, portando uma carteira de trabalho gigante e faixas que reivindicavam uma semana de trabalho mais curta.
O algoritmo da Uber nos tribunais
O sindicato ADCU (App Drivers and Couriers Union), membro da Internacional Progressista, viajou do Reino Unido para Amsterdã no dia 2 de setembro para apoiar uma ação judicial contra o sistema algorítmico de remuneração dinâmica (Dynamic Pay) da Uber. O processo argumenta que os sistemas automatizados da Uber para definir a remuneração e alocar o trabalho violam as normas europeias de proteção de dados e transparência. O ADCU afirma que o caso representa a etapa mais recente de uma luta prolongada contra o controle da empresa sobre os motoristas: após conquistarem o reconhecimento de direitos trabalhistas básicos na Suprema Corte britânica, os trabalhadores agora voltam sua atenção para os algoritmos por meio dos quais a Uber determina a prática concreta desses direitos.
Austrália nega entrada a socialista malaia
A Austrália negou visto a Kirisna Veni Singham, integrante do Partido Socialista da Malásia (PSM)— organização membro da IP—impedindo-a de participar da conferência Ecosocialism 2026, que ocorre neste mês em Brisbane. O presidente do PSM, Jeyakumar Devaraj, contestou a decisão, ressaltando que Singham tem emprego, família e residência na Malásia e que outros delegados do partido retornaram regularmente ao país após participarem da conferência. Considerando que a entrada de outra jovem de origem étnica tâmil do PSM também foi negada em 2022, Devaraj questionou se o sistema de vistos da Austrália estaria aplicando critérios discriminatórios baseados em etnia ou gênero.
Movimento Não Alinhado: A primeira cúpula do Movimento Não Alinhado reuniu-se em Belgrado, na Iugoslávia, em 1º de setembro de 1961. O evento reuniu 25 países que buscavam desenvolver uma política externa coletiva baseada na coexistência pacífica.
Dia Nacional do Vietnã: Em 2 de setembro de 1945, Ho Chi Minh leu a declaração de independência do Vietnã na Praça Ba Dinh, estabelecendo a República Democrática do Vietnã.
Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa: No dia 2 de setembro de 1945, o povo chinês derrotou as forças invasoras japonesas. A Guerra de Resistência, que resultou em mais de 35 milhões de baixas entre militares e civis chineses, durou 14 anos, tendo início com a invasão da Manchúria pelo Japão imperial em 1931.
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Pintado em Teerã depois que o presidente dos EUA, George W. Bush, classificou o Irã como parte do "eixo do mal", o autorretrato de Khosrow Hassanzadeh mostra um homem de família comum: o artista com flores e uma fotografia de seu avô, tendo o filho e a filha ao seu lado. Da tela pende uma etiqueta de ficha policial—com nome, nacionalidade e religião—carimbada com uma única palavra: "Terrorista".
Hassanzadeh, filho de vendedores de frutas azerbaijanos, alistou-se voluntariamente para o front aos dezessete anos e lutou na guerra de oito anos que Saddam Hussein—um aliado de Washington—impôs ao seu país. Ele permaneceu em Teerã até sua morte, em 2023. Seu autorretrato, parte de uma série, busca apropriar-se do olhar ocidental, que domina o mundo da arte e define a identidade de povos fora do Ocidente.
