Labor

Funcionários da Starbucks Convocam Boicote Nacional

Na esperança de pressionar a Starbucks a finalmente assinar um contrato com seus 12.000 baristas sindicalizados, a Starbucks Workers United (União dos Trabalhadores da Starbucks) convocou um boicote à empresa.
Após a maior e mais longa greve já feita em novembro passado, os trabalhadores sindicalizados da Starbucks dizem que a empresa parecia pronta para negociar, mas agora voltou a dificultar o diálogo. As principais exigências incluem um quadro mínimo de três funcionários por turno, um salário inicial de US$17 por hora, reajustes salariais anuais e melhores garantias de saúde e segurança no trabalho. O sindicato lançou um boicote, ganhou o apoio de grandes grupos trabalhistas como a AFL-CIO (Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais) e o Chicago Teachers Union (Sindicato dos Professores de Chicago), e realizou greves para protestar contra a falta de pessoal, condições inseguras de trabalho e os mais de 550 processos em andamento por práticas desleais de trabalho.

Sem contrato? Sem café Starbucks no centro sindical.

A fim de pressionar a Starbucks a finalmente assinar um contrato com seus 12.000 baristas sindicalizados, a Starbucks Workers United (União dos Trabalhadores da Starbucks) anunciou um boicote à rede em 25 de agosto. Além dos clientes das lojas, eles pedem a organizações e sindicatos que parem de frequentar a gigante do café, que não contratem serviços de catering  (serviço especializado no fornecimento de alimentos, bebidas e infraestrutura para eventos) e que tampouco aceitem patrocínios da marca, até que consigam um contrato.

A AFL-CIO já aderiu, e o Sindicato dos Professores de Chicago, com 25.000 membros, votou pelo boicote em 26 de agosto.

Membros da Starbucks Workers United (União dos Trabalhadores da Starbucks) realizaram sua maior e mais longa greve em novembro passado, exigindo que a empresa resolva as 550 ações trabalhistas por práticas desleais de trabalho e negocie de boa fé. Três mil baristas em cem cidades entraram em greve, em alguns casos, estendendo a paralisação até janeiro. Eles pediram aos clientes para excluir o aplicativo da Starbucks de seus celulares e evitar frequentar todas as lojas.

A empresa parecia pronta para negociar em um determinado momento, mas depois voltou a se fechar, disseram os baristas. ‘Eles continuarão a dificultar e a adiar o máximo possível enquanto acreditarem que podem ficar impunes.’ disse Campbell Marusa, barista há cinco anos em Greeley, Colorado.

Greves esporádicas continuaram. Em 15 e 16 de agosto, trabalhadores na Califórnia, Missouri, Tennessee e Pensilvânia paralisaram suas atividades. As paralisações ocorreram durante o fim de semana que promovia o Unicorn Frappuccino, quando as lojas ofereceram, por um curto período, uma bebida complicada e multicolorida que impulsionou as vendas, mas esgotou os trabalhadores. Os baristas foram informados de que teriam que trabalhar naquele fim de semana e não poderiam tirar folga, exceto em caso de emergência.

Em Nashville, baristas fizeram uma paralisação em 15 de agosto para alertar sobre um novo pó usado na mistura das bebidas, lançado em meados de julho, que se espalhava facilmente pelo ar, causando dor de garganta, tosse e dores de cabeça nos trabalhadores devido à sua inalação.

Os baristas da Starbucks lutam por um primeiro contrato há quase cinco anos. Trabalhadores começaram a se organizar, com vitórias em eleições sindicais em Buffalo, Nova York, no final de 2021. Desde então, mais de 700 lojas votaram pela sindicalização — afiliando-se à divisão Workers United (Trabalhadores Unidos) do Service Employees International Union (Sindicato Internacional dos Empregados do Setor de Serviços) — mas isso ainda representa menos de 5% das 16.000 unidades da empresa nos Estados Unidos.

Para impedir o aumento de trabalhadores sindicalizados, a empresa acumulou o maior número de processos trabalhistas por práticas desleais da história dos EUA, com 550 ainda em andamento. Mesmo com as bem documentadas intimidações dos gerentes, o sindicato continua a crescer em várias lojas por mês.

Sempre Três

Uma demanda contratual essencial é sobre a falta de pessoal. Os trabalhadores exigem que haja sempre três pessoas no turno e que as horas disponíveis para trabalhar sejam destinadas aos baristas já contratados, em vez da prática atual da empresa que é de contratar novas pessoas e assim manter a carga horária dos trabalhadores muito baixa.

O barista em greve de Nashville, Baylor Baucom, disse ao Nashville Banner que sua loja às vezes tem apenas dois funcionários. ‘Isso é inaceitável, na minha opinião, considerando quantas posições diferentes temos em nosso salão — preparando bebidas, preparando comida, anotando pedidos, anotando pedidos no drive-through.’

Muitos baristas com mais tempo de serviço relatam que o quadro de funcionários piorou nos últimos cinco anos. ‘As condições de trabalho e o serviço de alimentação estão piorando enquanto que os preços estão aumentando’, disse Marusa. Muitos trabalhadores relatam que, mesmo quando estão disponíveis para trabalhar por mais tempo, os gerentes mantêm suas cargas horárias abaixo do número necessário para que o funcionário seja elegível a receber benefícios.

Marusa disse que uma colega em Greeley sempre pede para fazer mais horas, mas a gerência sempre as mantém no mínimo. ‘Depois de pedir ao gerente da minha loja para fazer mais horas, ele disse a esta colega que existem recursos para ajudá-la a gerenciar seu dinheiro,’ disse Marusa. ‘A quantidade de horas que a estão permitindo fazer é equivalente a um salário de menos de US$800 por mês. A questão não é como ela está administrando o dinheiro dela; mas sim o fato de não permitirem que ela trabalhe mais horas.’

O salário melhorou desde que o sindicato começou a se organizar, mas em quarenta e três estados as remunerações iniciais ainda estão abaixo de US$16. O sindicato está pedindo um salário inicial de US$17 por hora e reajustes anuais de 4 por cento.

Ritmo Exaustivo, Clientes Irritados

Como não há pessoal suficiente para a demanda de trabalho, os baristas dizem que são forçados a acelerar seu trabalho a um ritmo exaustivo, enquanto os clientes enfrentam longos tempos de espera. Quem absorve a frustração do cliente são os trabalhadores.

‘Todos os funcionários informam a quantidade de horas que desejam fazer, mas a empresa sempre designa uma quantidade bem menor por causa da “verba de mão de obra”’, disse Marusa. Por esse motivo, os trabalhadores não podem tirar licença médica, para não ficarem abaixo do limite de horas exigido. 

Quando uma colega de trabalho foi empurrada e pisoteada por um cliente em junho, ela teve que ir para o hospital, disse Marusa. ’Ela estava com as costelas machucadas,      mas veio trabalhar no dia seguinte.’ Ela não podia tirar folga porque perderia horas preciosas e correria o risco de ser demitida, disse Marusa.

Os trabalhadores querem que saúde e segurança sejam abordadas no contrato, incluindo procedimentos de proteção contra agressões de clientes. Um quadro de funcionários mais robusto tornaria os ataques menos prováveis, disseram eles.

‘Sinceramente, às vezes afeta sua saúde mental’, disse Baucom ao Banner,      ‘porque você está com poucos funcionários, te dizem que precisa ir mais rápido, e de repente um cliente está gritando com você porque esperou muito tempo.’

Outro ponto de divergência é a exigência irritante de ter que escrever algo alegre e espontâneo em cada copo. Trabalhadores sofrem punições se não o fizerem. Um usuário escreveu no Reddit que foi demitido por “não incluir as marcações obrigatórias nos copos colocados na área de retirada.” Outro respondeu: “Nada me irrita mais do que estar gerenciando um turno, ter um desfalque, ajudar no bar e estar correndo fazendo um milhão de coisas e meu gerente se aproximar de mim e dizer: ‘não tem desculpas para não escrever nos copos.      ’

“Inalando Pó de Drywall

O sindicato comemorou uma vitória em meados de agosto quando a Starbucks retirou seu novo Blending Powder Beverage Mix, um pó usado nas bebidas geladas da linha “Refresher”, que estava deixando muitos baristas doentes com sintomas respiratórios. Muitos foram às redes sociais mostrando suas reações ao pó.

O sindicato pediu a Peter Orris, professor de saúde ocupacional do Centro Médico da Universidade de Illinois, para avaliar os ingredientes deste pó. Ele descobriu que três deles — goma arábica, goma xantana e sílica amorfa — estão associadas a problemas respiratórios quando inaladas. Ele recomendou o uso de máscaras além de ventilação e procedimentos de limpeza especiais para manusear o produto. Trabalhadores que apresentarem reações devem evitar o contato com o produto, escreveu Orris.

Baristas celebraram a retirada da bebida nas redes sociais comentando ‘Chega de inalar poeira de drywall!!’ e      ‘Finalmente posso respirar de novo no setor de bebidas geladas’, e ‘Graças a Deus, minha asma estava atacada. . . . Estava me afetando muito, mas eu não me sentia confortável em falar sobre isso no trabalho.’

‘Precisamos aumentar a pressão’, disse Marusa, citando o boicote. Ela incentivou sindicatos e outras organizações a aprovarem uma resolução para administrar ‘uma organização sem Starbucks [e] encorajar os membros de sua comunidade a boicotar a Starbucks

Jenny Brown é editora assistente da Labor Notes. Ela é autora de Birth Strike: The Hidden Fight Over Women's Work. Seu último livro é o *Without Apology: The Abortion Struggle Now*.

Available in
EnglishSpanishPortuguese (Brazil)GermanFrenchItalian (Standard)ArabicRussian
Author
Jenny Brown
Translators
Erica Tondatti, Beatriz Souza and ProZ Pro Bono
Date
16.09.2026
Source
JacobinOriginal article🔗
Progressive
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