Briefing

Newsletter da Internacional Progressista | No. 46  |  Um Conto de Duas Internacionais

Enquanto Trump confisca petroleiros, apoia golpes de Estado e concede indultos a traficantes, uma Internacional Reacionária afirma sua dominância em todo o mundo. Cinco anos depois, a Internacional Progressista surge para confrontá-la e para construir uma ordem baseada na libertação, não na pilhagem.
Na 46ª Newsletter da Internacional Progressista de 2025, além de outras notícias do mundo, trazemos até você um conto sobre duas internacionais: a Internacional Reacionária, cuja violência assegura sua extrema riqueza, e a Internacional Progressista, que luta pela celebração de uma nova ordem internacional baseada na libertação dos povos, na liberdade e na dignidade.  Quer receber a nossa Newsletter diretamente no seu email? Inscreva-se pelo formulário no final desta página.

Na quarta-feira, 10 de dezembro, o presidente dos EUA, Donald Trump, vangloriou-se perante a imprensa da Casa Branca do mais recente triunfo de sua administração. "Acabamos de apreender um petroleiro na costa da Venezuela", disse ele. "Um muito grande—o maior já apreendido, na verdade."

O navio transportava petróleo de um Estado latino-americano soberano, fortemente sancionado, para outro—da Venezuela para Cuba. Uma ligação vital entre duas nações foi cortada por uma potência estrangeira que reivindicou, sem qualquer pudor, o direito de confiscar sua carga.

O governo da Venezuela denunciou a apreensão como um "roubo descarado e um ato de pirataria internacional". Quando questionado sobre o que aconteceria com o petróleo roubado, Trump sorriu: "Bem, acho que ficaremos com ele".

No Mar do Caribe, podemos ver a Internacional Reacionária encontrar sua expressão mais descarada: a ilegalidade como prerrogativa, o roubo como política e o exercício descarado do poder imperial ostentado com orgulho em vez de disfarçado. O que distingue Trump e sua turma não é o comportamento deles, mas a honestidade com que o descrevem.

Como disse certa vez Elon Musk, aliado de Trump e também oligarca: "Damos golpes em quem quisermos". Musk publicou essa frase após o golpe de Estado apoiado pelos EUA em 2019 na Bolívia, cujas reservas de lítio eram cobiçadas pelas corporações que ele defende. Uns anos mais tarde, ele comprou a plataforma onde a sentença foi proferida, transformando um dos principais espaços de comunicação pública do mundo em um megafone para a política plutocrática de extrema-direita.

Para essa fraternidade de bilionários, a própria realidade é algo a ser fabricado. A verdade não é  estabelecida por fatos, mas algo imposto pela riqueza e pela força. Trump, por exemplo, agora abraçou a teoria da conspiração supremacista branca de um “genocídio branco” na África do Sul—um país cujo verdadeiro “crime”, aos olhos da Internacional Reacionária, é levar Israel à Corte Internacional de Justiça para enfrentar acusações de genocídio por seu ataque a Gaza.

Seu interesse não é filosófico. Trump é intrinsecamente ligado a redes de direita influentes na África do Sul—de Musk a Gary Player, embaixador esportivo da era do apartheid, seu amigo de longa data e parceiro de golfe. Suas visões políticas convergem para seus interesses em comum.

E a rede se estende muito além. O genro de Trump, Jared Kushner, é herdeiro de uma família profundamente enraizada na elite política israelense. A relação é tão próxima que Benjamin Netanyahu já se hospedou no quarto de infância de Kushner durante visitas a Nova York. A política de Trump para o Oriente Médio—desde a transferência da embaixada americana para Jerusalém até a aprovação das ambições mais extremistas de Netanyahu—foi forjada nesse nexo entre poder pessoal, político e riqueza.

Essa conexão ficou totalmente evidente quando Trump discursou no Knesset (algo como a Câmara dos Deputados em Israel) este ano, vangloriando-se de que “se não fosse por Sheldon e Miriam Adelson, jamais teríamos transferido a embaixada para Jerusalém” e assegurando aos parlamentares que o futuro de Israel dependia do tipo de “judeus durões” que os Adelsons representavam. Foi uma confissão: a política dos EUA não é moldada por leis ou princípios, e sim por bilionários e suas exigências.

Em toda a América, a mesma rede está em movimento. Na Argentina, Trump interveio diretamente para ajudar o presidente Javier Milei, oferecendo-se para facilitar um resgate financeiro apenas se a coligação de Milei vencesse eleições municipais importantes. Em Honduras, ele apoiou abertamente o candidato conservador e concedeu indulto a Juan Orlando Hernández, ex-presidente hondurenho e traficante de drogas condenado.

E, assim, se desfaz o discurso da “guerra contra as drogas”. A mesma hipocrisia se manifesta no Equador, onde o império empresarial da família do presidente Noboa—agora um aliado central dos EUA—está envolvido em escândalos que ligam suas operações ao tráfico de drogas no porto de Guayaquil.

Esses não são escândalos isolados. São a prova de uma única realidade política: a Internacional Reacionária existe para defender a riqueza e os privilégios de uma pequena elite global—por quaisquer meios necessários.

E as consequências não poderiam ser mais claras. O Relatório Mundial sobre a Desigualdade 2026—publicado esta semana e apresentado por Jayati Ghosh, membro do Conselho Internacional Progressista—revela que os 0,001% mais ricos detêm agora três vezes a riqueza da metade mais pobre da humanidade. Apenas 56 mil indivíduos possuem três vezes mais riqueza do que 4 bilhões de pessoas.

Era isso que Trump queria dizer quando se gabou de que o petroleiro “foi apreendido por um ótimo motivo”. Eles lutam arduamente para proteger a riqueza obscena de poucos. Mas quanto mais violenta e descarada essa internacional (reacionária) se torna, mais resistência ela gera. E essa resistência precisa de coordenação, estratégia e solidariedade.

Este mês, celebramos cinco anos da Internacional Progressista: cinco anos construindo um internacionalismo poderoso o suficiente para confrontar a sua contraparte reacionária. Cinco anos repelindo golpes, derrotando os criptoparceiros de Peter Thiel, defendendo a floresta amazônica contra o projeto ecocida de Bolsonaro e os trabalhadores e trabalhadoras da Amazon contra a exploração.

Criamos esta bela página para marcar a ocasião e convidar amigxs, camaradas, companheiros e companheiras e apoiadorxs a comemorar este aniversário conosco—e, se puderem, a fazer uma contribuição mensal para sustentar nosso trabalho pelos próximos cinco anos.

Juntos, lutamos por terra, pão e paz para forjar uma nova ordem internacional de libertação, liberdade e dignidade.

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A todxs xs tradutorxs que contribuíram este ano, nosso muito obrigado. Seu trabalho é reconhecido, valorizado e essencial.

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Available in
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Translator
Andre Carneiro
Date
12.12.2025
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