O governo chinês estreitou relações com Cuba e reiterou seu apoio político à ilha em 11 de fevereiro, diante das novas sanções e do bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos.
Durante uma coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, reafirmou a firme oposição de Pequim a “ações desumanas que privam o povo cubano de seu direito à subsistência e ao desenvolvimento”.
“Gostaria de enfatizar mais uma vez que a China apoia firmemente Cuba na salvaguarda de sua soberania e segurança nacional e na oposição à interferência externa”, disse ele.
Vale lembrar que, em 29 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu uma ordem declarando emergência nacional devido a uma suposta “ameaça” cubana à segurança nacional e autorizando a imposição de tarifas sobre as importações de países que vendem ou fornecem petróleo à ilha.
Havana denunciou veementemente que, com esse chamado “bloqueio energético”, o governo do magnata republicano busca sufocar a economia da nação caribenha e tornar intoleráveis as condições de vida de seu povo.
Em resposta, a China exigiu que o governo dos Estados Unidos “ponha fim imediatamente ao bloqueio, às sanções e a qualquer forma de medidas coercitivas contra Cuba”.
Washington mantém um bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba desde 1962. Segundo Havana, o principal objetivo dessa política é gerar descontentamento entre a população cubana e provocar uma crise social que, em última instância, leve a uma mudança de governo na ilha.
Durante a coletiva de imprensa, o diplomata foi solicitado a responder sobre a suposta existência de cidadãos chineses retidos em Cuba como resultado da suspensão dos voos para a ilha por algumas companhias aéreas internacionais.
No entanto, ele afirmou que não havia “recebido nenhum relatório” sobre o assunto.
Em relação a possíveis remessas de combustível ou apoio financeiro do gigante asiático, Lin indicou que qualquer tipo de cooperação tem que ser tratada “por meio de canais bilaterais” e discutida com “as autoridades competentes”.
No entanto, ele deixou claro que a China “prestará apoio e assistência a Cuba dentro de suas capacidades”.
Cabe destacar que, no presente momento, após a intensificação das medidas coercitivas impostas pelo governo Trump que limitam a capacidade de Cuba de adquirir petróleo, Pequim expressou sua rejeição a tais medidas que afetam o desenvolvimento soberano da ilha caribenha.
Nas últimas semanas, a nação asiática anunciou o envio de 90.000 toneladas de arroz a Cuba e o estabelecimento de uma ajuda financeira de emergência no valor de US$ 80 milhões.
Esse montante se soma aos US$ 100 milhões em ajuda concedidos em 2024, de acordo com a TeleSUR.
O apoio também foi expresso no âmbito diplomático. Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, reafirmou “a oposição resoluta de Pequim à injusta interferência de forças externas nos assuntos de Cuba”.
"Estamos unidos a Cuba para continuar consolidando e desenvolvendo nossas relações de amizade”, afirmou durante uma reunião com Bruno Rodríguez, ministro das Relações Exteriores e enviado especial de Cuba
“Damos grande importância e levamos muito a sério as aspirações legítimas de nossos amigos cubanos.”, disse Wang Yi.
Leonardo Buitrago é jornalista especializado em política e economia internacional. UCAB.
