Briefing

Newsletter da Internacional Progressista | No.  22 | Ameaça Comunista

Washington resgata uma velha doutrina para derrotar as forças de libertação—dentro e fora de suas fronteiras.
Na 22ª Newsletter da Internacional Progressista de 2026, além de outras notícias do mundo, falaremos sobre o 'Novo Macarthismo' como uma estratégia de repressão aos movimentos de libertação—tanto nos Estados Unidos quanto ao redor do mundo—uma tática farsesca e assustadora. Quer receber a nossa newsletter diretamente no seu email? Inscreva-se pelo formulário no final desta página.

Em 16 de julho, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reuniu representantes de 65 países para uma reunião ministerial sobre o “ressurgimento do terrorismo político”. Ele alertou os presentes de que a esquerda representaria uma “escuridão que avança”. Seu colega Stephen Miller classificou o “extremismo de esquerda” como um “câncer fatal para a civilização” e afirmou que os esquerdistas são movidos por “inveja, ódio e ciúme”. Rubio prometeu desmantelar as redes internacionais desse movimento “tijolo por tijolo”.

Quatro dias depois, a campanha anticomunista de Washington revelou mais uma arma: um relatório de 100 páginas, publicado pelo Departamento de Estado e intitulado “Cuba: A Capital do Comunismo do Século XXI”. O documento enumerava uma série de queixas contra a Revolução Cubana, acusando-a de travar uma “guerra de atrito” contra os Estados Unidos que “obteve sucesso notável”.

Para os EUA, esta não é apenas uma guerra de “espionagem, infiltração, sabotagem, redesde procuração (proxy)”. É uma batalha travada principalmente no “campo de batalha ideológico... forjado em torno de um ressentimento dominante e de um ódio fundamental contra os Estados Unidos e o Ocidente em geral”. Cuba, diz o relatório, procura nada menos do que virar “os filhos do Ocidente… contra a sua própria herança”.

O relatório tem claramente como objetivo aprofundar os argumentos a favor de uma mudança de regime em Cuba. Mas o seu alvo é mais amplo. Ele veio no momento em que Washington anunciou um grande financiamento para grupos alinhados ao MAGA na Europa e para esforços anticomunistas nos EUA. A publicidade do documento também coincidiu com a escalada dos ataques contra ativistas e organizações em todo o mundo.

De fato, o relatório do Departamento de Estado sobre Cuba cita nomes específicos. Ele inclui organizações como o Democratic Socialists of America, a Black Alliance for Peace, a National Lawyers’ Guild, o Codepink e o People’s Forum em uma longa lista de movimentos supostamente sob o domínio ideológico de Cuba—inimigos da civilização ocidental cujos objetivos convergem cada vez mais com as “ambições de Moscou, Pequim e Teerã”.

Esses tipos de ataques já não são retóricos. Desde o Memorando Presidencial de Segurança Nacional n.7 de setembro passado, a administração Trump tem conduzido uma campanha anticomunista interna baseada numa categoria jurídica duvidosa: “terrorismo doméstico”. A Antifa, uma abreviação de “antifascista”, foi designada como organização terrorista, embora não seja um movimento, não tenha membros e não exista em nenhum sentido formal. A medida dá ao governo dos EUA uma tábula rasa para reprimir, como sugere a sua própria terminologia, qualquer oponente do fascismo.

Os efeitos já são devastadores. Na Geórgia, vários ativistas que se opuseram a um enorme centro de treinamento policial, conhecido como Cop City, foram acusados de terrorismo; e um deles, um ativista conhecido como Tortuguita, foi executado por forças estatais. No Texas, réus ligados a um confronto ocorrido em 2025 em um centro de detenção de imigrantes cumprem agora penas de até um século. Em Minnesota, mais de uma dezena de ativistas enfrentam acusações de conspiração baseadas, em parte, no uso de um moletom.

Atualmente, diversas organizações sediadas nos EUA enfrentam investigações oficiais. Indivíduos têm recebido ameaças de morte, enquanto outros sofrem perseguições judiciais intensas. Em 10 de julho, a polícia espanhola cercou o carro em que estava Fergie Chambers, um proeminente filantropo e ativista anti-imperialista norte-americano, e que agora enfrenta a extradição para os EUA sob a acusação de financiamento do terrorismo. Trata-se da primeira tentativa de extraditar um apoiador da libertação palestina a partir de solo estrangeiro—mais uma escalada na guerra de Washington contra o movimento de solidariedade.

Nada disso é novidade. De Jacarta à Cidade da Guatemala, Washington trava há muito tempo uma guerra genocida contra o comunismo e a libertação fora de suas fronteiras. E, do macarthismo ao COINTELPRO, o governo americano travou uma luta violenta e implacável em território nacional. Esses precedentes históricos—agora vistos à luz da violência contra a Venezuela, a Palestina, Cuba, o Líbano e o Irã—apontam para uma conclusão alarmante: Washington não tem limites, princípios ou restrições humanitárias em sua guerra. Ela se intensificará, se aprofundará e mais de nós entrarão na sua mira.

Mas há também o outro lado dessa moeda: Washington está em pânico. Os Estados Unidos estão perdendo o controle e encontram-se, como o próprio Rubio admitiu no início deste ano, em um estado de “declínio terminal”. O “espectro do comunismo”—até muito recentemente dado como extinto—parece assombrá-lo mais do que nunca.

O Império teme o internacionalismo que une, cada vez mais, as lutas do Sul às lutas do Norte. E teme o “comunismo” porque o “comunismo” descreve o movimento histórico em direção ao fim do capitalismo—um futuro, construído por meio de nossa luta coletiva, no qual nossas vidas não estejam mais submetidas aos belicistas e aos monopolistas.

A lição para nós é clara: se o espectro persiste em assombrar nossos inimigos, então nossa determinação em dar corpo à sua forma fantasmagórica também deve persistir.

Últimas do Movimento

Ajuda Humanitária para o Terremoto na Venezuela

O Comitê Internacional da IP, membro dos Democratic Socialists of America ​​(Socialistas Democráticos da América), lançou uma campanha de arrecadação de fundos para apoiar os esforços de assistência na Venezuela, após os terremotos devastadores que atingiram as principais cidades de Caracas e La Guaira, bem como os estados de Trujillo, Yaracuy, Carabobo, Aragua e Miranda.

Os recursos oferecerão apoio material ao povo venezuelano durante este período de dificuldades, agravado pelas sanções ilegalmente impostas pelos Estados Unidos contra o país.

Você pode clicar aqui para doar.

Repressão no Paquistão

Em 31 de julho, trabalhadores e organizadores do partido Haqooq-e-Khalq—membro da IP—foram presos em Lahore enquanto protestavam pacificamente em solidariedade ao povo de Azad Jammu e Caxemira, que vem enfrentando uma escalada de violência e repressão. "Isso é banditismo descarado de um regime em colapso", escreveu Ammar Ali Jan. "Protestar não é crime; apoiar os oprimidos não é ilegal."

Todos os detidos já foram libertados. A luta continua.

A democracia do Equador não pode ser suspensa

As autoridades do Equador vêm fechando portas para a votação da maior força de oposição do país. Depois de suspender a Revolución Ciudadana por nove meses em março, o Tribunal de Litígios Eleitorais suspendeu agora o AMIGO—o partido pelo qual candidatos disputariam as eleições locais de novembro—poucas horas antes do prazo final para registar alianças. O Observatório Internacional Progressista apelou para que observadores internacionais monitorem todo o ciclo eleitoral e exijam o devido processo legal, o pluralismo político e uma escolha significativa para eleitores e eleitoras do Equador.

Os protestos dos "Flamingos" na Albânia não podem ser detidos

Há quase dois meses, albaneses e albanesas ocupam as ruas em oposição ao projeto de apropriação de terras de luxo de Trump e Kushner e às ações do governo para viabilizá-lo. Em 27 de julho, a polícia cercou o Parlamento, usou spray de pimenta contra manifestantes e efetuou detenções— incluindo de lideranças do Lëvizja Bashkë, organização integrante da Internacional Progressista—enquanto o movimento exigia a renúncia imediata do primeiro-ministro Edi Rama. Após semanas enfrentando gás lacrimogêneo, jatos d'água e prisões, os protestos continuam a afirmar que a costa, as terras públicas e o futuro político da Albânia não estão à venda.

Trabalhadores de plataforma de Telangana fecham os aplicativos

Em 22 de julho, quase 390 mil trabalhadores de táxis, riquixás, entregas e transporte de mercadorias em todo o estado indiano de Telangana aderiram a uma greve estadual liderada pelo membro da Internacional Progressista, o Sindicato dos Trabalhadores de Plataformas de Telangana e pelo Fórum de Motoristas de Aplicativos de Telangana.

Os trabalhadores desconectaram-se do Ola, da Uber, do Rapido, do Swiggy, do Zomato, do Zepto, do Blinkit e do Porter, interrompendo o transporte e as entregas em Hyderabad e em outras cidades do estado. Eles exigiram tarifas mínimas justas, comissões das plataformas mais baixas, a implementação de proteções estatais aos trabalhadores temporários e a criação de um conselho de assistência social—e alertam que, a menos que o governo e as empresas atuem, a paralisação de um dia se tornará uma greve indefinida após 8 de agosto.

"Baratas" da Índia forçam a saída do Ministro da Educação

Um movimento de protesto na Índia forçou a saída do ministro da Educação do cargo. O "Cockroach Janta Party" (CJP) surgiu como uma conta no Instagram em resposta a um comentário depreciativo feito pelo presidente da Suprema Corte do país a respeito de estudantes desempregados ("cockroach" significa "barata" em português). O CJP transformou a sátira online em uma revolta nacional contra a corrupção em exames, o desemprego e a impunidade política. Dezenas de milhares de pessoas marcharam até o Parlamento exigindo responsabilização pelo vazamento mais recente do exame de admissão para cursos de medicina. O movimento enfrentou bloqueios de estradas, restrições à internet, cassetetes e gás lacrimogêneo. Em 25 de julho, o ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, renunciou, enquanto o governo prometia reformas, indenizações às famílias de estudantes que cometeram suicídio e o fim de processos judiciais decorrentes dos protestos.

Nossa História[

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25 de julho de 1898 – Invasão de Porto Rico pelos EUA: Em 25 de julho de 1898, 16.000 soldados dos EUA invadiram Porto Rico, prometendo a libertação do domínio espanhol, mas acabaram abolindo o governo autônomo da ilha e impondo um novo regime colonial. Washington substituiu o peso, eliminando 40% das economias dos porto-riquenhos; transferiu vastas áreas de terras agrícolas para bancos e empresas açucareiras dos EUA; impôs a cidadania norte-americana sem representação política; e transformou a ilha em um posto militar para intervenções em toda a América Latina e no Caribe. Da greve dos trabalhadores do setor açucareiro em 1934 ao movimento de independência—alvo de massacres e da repressão do FBI—os porto-riquenhos têm resistido a mais de um século de ocupação, exploração e domínio por parte de Washington.

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25 de julho de 1900 – Encerramento da Primeira Conferência Pan-Africana: Em 25 de julho de 1900, a primeira Conferência Pan-Africana se encerrou em Londres. A conferência reuniu intelectuais, ativistas e organizadores negros da África, do Caribe, da Europa e dos Estados Unidos contra o domínio colonial e a opressão racial. Em seu discurso de encerramento, "Às Nações do Mundo", W. E. B. Du Bois alertou que a exploração do "mundo negro" ameaçava os ideais de justiça e liberdade reivindicados pela própria Europa. A conferência ajudou a forjar um movimento internacional que se desdobraria em congressos pan-africanos posteriores—contando com figuras como George Padmore, Amy Ashwood Garvey e Jomo Kenyatta—e avançaria até Bandung e a Tricontinental; uma tradição de solidariedade que perdura onde quer que haja resistência ao colonialismo.

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26 de julho de 1847 – A Fundação da Libéria: Em 26 de julho de 1847, a Libéria—a "Terra da Liberdade"—declarou independência, tornando-se a segunda república negra do mundo. Fundado pela Sociedade Americana de Colonização como um destino para afro-americanos emancipados, o novo Estado permaneceu vulnerável à dominação estrangeira por meio de dívidas, pressão diplomática e poder corporativo. Em 1926, a Firestone Tire & Rubber Company, apoiada pelos EUA, garantiu um contrato de arrendamento de 99 anos para até um milhão de acres—cerca de um décimo das terras aráveis ​​da Libéria—ao mesmo tempo em que um empréstimo controlado pela Firestone colocava as receitas do país sob supervisão externa. Investigações posteriores documentaram a prática de trabalho forçado em suas plantações, onde os trabalhadores recebiam salários de miséria enquanto os lucros da empresa superavam a receita do governo. A Libéria havia escapado do domínio colonial formal, mas a Firestone transformou grande parte do país no que W. E. B. Du Bois descreveu como um império de capital privado, um sistema de plantation cujo legado perdura até hoje.

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26 de julho de 1953 – O Ataque ao Quartel de Moncada: Em 26 de julho de 1953, revolucionários cubanos liderados por Fidel Castro atacaram o Quartel de Moncada, no primeiro desafio armado à ditadura de Fulgencio Batista, apoiada pelos EUA. O ataque fracassou e cerca de 70 rebeldes foram mortos, mas Castro aproveitou seu julgamento para proferir o discurso "A História me Absolverá", apresentando um programa de redistribuição de terras, direitos trabalhistas, assistência social e resistência à tirania em todas as Américas. Condenados a 15 anos de prisão, Fidel e Raúl Castro foram libertados após dois anos devido à pressão popular; eles se reorganizaram no México e retornaram para construir o movimento que derrubou Batista em 1º de janeiro de 1959. A derrota em Moncada marcou o início da Revolução Cubana.

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28 de julho de 1954 – O nascimento de Hugo Chávez: Em 28 de julho de 1954, Hugo Chávez Frias nasceu em Sabaneta, na Venezuela. Eleito presidente em 1998, após décadas de desigualdade e exclusão, Chávez redirecionou a riqueza do petróleo para a saúde, a educação, a alimentação e a habitação, ampliou a propriedade pública e buscou colocar a classe trabalhadora no centro do poder político por meio de milhares de conselhos comunais e comunas. No cenário internacional, ajudou a fundar a ALBA e a UNASUL, promovendo um projeto de integração latino-americana independente de Washington e das instituições financeiras internacionais. Do lema "mudar o sistema, não o clima" até sua convocação final ¡Comuna o nada! (a comuna ou nada), Chávez articulou o socialismo, a soberania e a democracia popular em um projeto bolivariano que continua a moldar o continente.

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Arte da Semana

Peter Kennard é um artista de fotomontagem e professor de Arte Política no Royal College of Art. Desde o final da década de 1960, Kennard cria obras de forte teor político que constituem uma manifestação visual de resistência contra a desigualdade econômica, a guerra, as mudanças climáticas e as injustiças, tanto em nível local quanto global. Reconhecido internacionalmente pelas fotomontagens que produziu em apoio à CND (Campanha pelo Desarmamento Nuclear) ao longo das décadas de 1970 e 1980, Kennard criou imagens icônicas para publicações de esquerda e protestos sociais—imagens que se fixaram no imaginário coletivo e que permanecem tão potentes e impactantes hoje quanto eram na época.

O pôster que figura na nossa seção "arte da semana", criado para a Internacional Progressista, faz referência à Declaração da IP.

A arte está disponível para compra em nossa loja virtual, através do link.

Available in
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Date
31.07.2026
Progressive
International
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