O serviço de inteligência brasileiro informou governos estrangeiros sobre tentativas de interferências nas eleições deste fim de semana: a eleição decisiva, nas palavras do presidente Lula da Silva, entre “soberania e submissão”.
Autoridades da França e da Alemanha viajaram para Brasília no mês passado para reuniões com a agência de inteligência do Brasil (Abin), autoridades eleitorais e a polícia federal. Segundo documentos e fontes vistos pela Reuters, a Abin disse à delegação europeia que teria identificado interferências tanto dos Estados Unidos quanto da Rússia. Os responsáveis da Abin descreveram as atividades dos EUA variando desde a “guerra jurídica” (lawfare) até formas mais evidentes de intervenção. Eles não deram detalhes sobre a suposta atividade russa.
O aviso surge no momento em que a administração Trump comprometeu 1 milhão de dólares para um programa do Departamento de Estado para financiar grupos da sociedade civil que desafiam o que Washington descreve como excesso judicial e censura. O procurador-geral do Brasil pediu ao Ministério Público Federal que investigasse o financiamento como possível interferência estrangeira.
Os ataques cibernéticos no Brasil quase dobraram desde o ano passado, disse um especialista brasileiro na área durante as reuniões. Os ataques de hackers e as tentativas de phishing contra o gabinete do presidente também aumentaram acentuadamente, atividade que o mesmo especialista descreveu como claramente “relacionada com as eleições”. Nas redes sociais, as autoridades eleitorais brasileiras enfrentam uma enxurrada de material de campanha gerado por IA. A própria convenção do partido de Flávio Bolsonaro contou com um avatar de IA de seu pai, Jair. O Brasil proibiu deepfakes eleitorais e sistemas de IA de recomendar candidatos.
Durante meses antes das eleições de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro atacou o sistema de votação eletrônica do Brasil com alegações repetidamente rejeitadas pelas autoridades eleitorais. Entre o primeiro e o segundo turno, seu filho, Eduardo, viajou à Argentina para se encontrar com o agente político Fernando Cerimedo, que afirmou comandar mais de 50 mil contas de bots. Cinco dias depois da derrota de Bolsonaro, Cerimedo transmitiu alegações de que as urnas eletrônicas do Brasil haviam favorecido sistematicamente Lula. No mesmo dia, #BrazilWasStolen se tornou viral, impulsionado por um conjunto de contas recém-criadas. O tribunal eleitoral do Brasil rejeitou as alegações de Cerimedo. Membros da conspiração para impedir que Lula, o vencedor das eleições de 2022, assumisse o cargo posteriormente citaram o factóide espalhado por Cerimedo como prova de que a eleição havia sido roubada.
Em 8 de janeiro de 2023, milhares de apoiadores de Bolsonaro invadiram e saquearam o Congresso, o Supremo Tribunal e o palácio presidencial do Brasil. Em setembro de 2025, o Supremo Tribunal condenou Jair Bolsonaro por liderar um complô para impedir a transferência legal do poder e sentenciou-o a 27 anos e três meses de prisão. No domingo, seu filho mais velho será o principal adversário de Lula. Mais de 150 milhões de brasileiras e brasileiros estão aptos a votar no primeiro turno das eleições presidenciais do país, bem como para governadores, senadores e deputados federais e estaduais. As pesquisas para o segundo turno colocam Lula e Flávio dentro da margem de erro.
Como que ensaiando caminhos futuros, Flávio reacendeu os ataques ao sistema de votação eletrônica, incluindo a falsa alegação de que as máquinas do Brasil foram fornecidas pela Smartmatic. As autoridades brasileiras negaram este ano vistos a dois funcionários do governo Trump que, segundo elas, pretendiam visitar o país para levantar dúvidas sobre a integridade da votação.
Os Bolsonaros têm um aliado comprovado na Casa Branca. Em 2025, Washington impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e associou-as explicitamente às acusações contra Jair Bolsonaro. O governo estadunidense sancionou o juiz da Suprema Corte que supervisionava o julgamento de Bolsonaro—revogando também vistos de outros juízes e autoridades do governo brasileiro. Como se não bastasse, Donald Trump ainda exigiu publicamente que o Brasil “DEIXE BOLSONARO EM PAZ!”. Dois meses depois de um encontro entre Flávio e Trump no Salão Oval da Casa Branca, Washington introduziu outra tarifa de 25% sobre bilhões de dólares de exportações brasileiras. Flávio voltou a viajar para Washington e instou o governo americano a adiar as tarifas até depois das eleições no Brasil. As pesquisas mostraram que as sanções moveram os eleitores em direção a Lula e à sua defesa da soberania brasileira.
Uma das disputas entre Washington e Brasília passa pelos telefones de mais de 150 milhões de brasileiros. Pix, o sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central do Brasil, permite que indivíduos transfiram dinheiro gratuitamente e que comerciantes aceitem pagamentos por uma fração das taxas normais de cartão. A solução de pagamentos brasileira rapidamente tirou parcela do mercado da Visa e da Mastercard. Washington colocou-o sob investigação por discriminação contra empresas norte-americanas.
O banco central do Brasil assinou acordos de partilha de informações com 65 contra-partes estrangeiras e vem avaliando com o Banco Central Europeu se o Pix poderia ser ligado ao sistema europeu de liquidação de pagamentos instantâneos TARGET. Os bancos centrais dos países integrantes do BRICS também estão discutindo ligações entre os seus sistemas de pagamento rápido e as moedas digitais dos bancos centrais para reduzir o custo dos pagamentos transfronteiriços e aumentar a utilização de moedas locais no comércio.
Para Washington, o que está em jogo vai além da participação da Visa e da Mastercard no mercado brasileiro. Uma rede de sistemas públicos de pagamento interligados poderia permitir que um volume crescente de comércio e transferências contornasse redes controladas pelos EUA e denominadas em dólares. Para se precaver contra essa possível expansão da soberania do Sul Global, Flávio Bolsonaro propôs uma legislação para manter o Pix desconectado de sistemas de pagamento não ocidentais, apresentando a medida como um “sinal decisivo” a Washington.
Nas Nações Unidas, no mês passado, Lula alertou que o Brasil estava novamente enfrentando “interferência externa em processos eleitorais”. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, disse ele. “Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos ou externos, minem a vontade popular.”
A votação de domingo também envolve decisões práticas imediatas. O governo Lula proibiu as apostas online—após pesquisas revelarem que 10,9 milhões de brasileiros apresentavam padrões de jogo classificados como de risco ou problemáticos—e anunciou um plano para adquirir dívidas de famílias em situação de inadimplência com descontos de pelo menos 90%, repassando esse abatimento aos devedores. Flávio Bolsonaro criticou a proibição das apostas, classificando-a como "populista", e tem feito uma campanha defendendo privatizações e cortes de impostos e gastos, além de empenhar-se pela libertação de seu pai.
O Observatório Internacional Progressista está se mobilizando para o Brasil com uma delegação de parlamentares, ex-ministros, lideranças políticas, acadêmicos, acadêmicas, especialistas em direito, ativistas e observadores eleitorais experientes de todo o hemisfério e de outros lugares. A delegação monitorará o sistema de votação eletrônica, a violência e intimidação política, a desinformação eleitoral, as redes coordenadas de bots e contas digitais, as plataformas online e consultores políticos estrangeiros, e as tentativas de atores externos de interferir na liberdade de expressão do povo brasileiro.
No mês passado, nas Nações Unidas, Trump prometeu “reafirmar o domínio dos EUA no Hemisfério Ocidental” e apontou o rapto de Nicolás Maduro como prova da vontade de Washington de agir. Quatorze governos latino-americanos e caribenhos juntaram-se agora à sua coligação Escudo das Américas. Brasil e México não.
Na manhã de domingo, mais de meio milhão de seções eleitorais serão abertas em todo o Brasil. Quatro anos depois que as redes de bots ampliaram alegações falsas sobre as urnas eletrônicas e foi feita uma tentativa de anular o resultado, os brasileiros votarão nelas novamente. Desta vez, houve um aumento dos ataques hackers e de phishing contra o gabinete do presidente, Jair Bolsonaro regressou à campanha como avatar da IA e Washington impôs tarifas associadas à sua acusação enquanto o seu filho procurava tranquilizá-lo sobre o domínio do dólar.
A Internacional Progressista estará no Brasil para observar a votação, documentar ameaças à sua integridade e defender o direito do povo brasileiro de determinar o seu próprio futuro—livre de intimidação ou interferência estrangeira.
O rompimento do bloqueio ganha o Prêmio da Paz Seán MacBride
O Bureau Internacional da Paz atribuiu o seu Prêmio da Paz Seán MacBride 2026 conjuntamente ao Comboio Nuestra América, à Flotilha Global Sumud e à Coligação da Flotilha da Liberdade, reconhecendo a sua solidariedade internacional com os povos de Cuba e da Palestina.
A Internacional Progressista é a principal organizadora do Comboio Nuestra América e parceira de coalizão da Flotilha Global Sumud. O prêmio homenageia movimentos que mobilizaram pessoas através das fronteiras para desafiar bloqueios, expor as suas consequências humanas e transformar a solidariedade em ação organizada.
Moradores de barracos na África do Sul marcham contra o feminicídio
O grupo Abahlali baseMjondolo, membro da Internacional Progressista e moradores de Ekurhuleni marcharam até a delegacia de polícia de Kempton Park em 28 de setembro, após uma série de assassinatos de mulheres no município. Liderados pela Liga das Mulheres do Abahlali e por organizações aliadas, os manifestantes exigiram uma prestação de contas pública sobre as investigações, uma força-tarefa de combate à violência de gênero liderada por mulheres, financiamento adequado, uma sala de atendimento a vítimas com funcionamento 24 horas e maior policiamento em áreas de alto risco.
O movimento associou a violência contra as mulheres às condições dos distritos e dos assentamentos precários, incluindo a iluminação e os serviços públicos inadequados.
Trabalhadores portuários preparam um bloqueio internacional à máquina de guerra
Sindicatos de trabalhadores portuários que representam mais de 35 portos em toda a Europa e Mediterrâneo estão organizando um Dia Internacional de Ação coordenada contra a militarização e a guerra, a ser realizado em 30 de outubro. Os sindicatos—incluindo organizações da Turquia, do Marrocos, da Itália, da França, da Grécia e do País Basco—comprometeram-se a reforçar a cooperação para identificar e resistir à movimentação de cargas militares em seus portos.
"Não carregamos a morte", afirma a Declaração de Istambul. "Sem as nossas mãos, os contêineres permanecem parados, os navios não são carregados e as máquinas de guerra são bloqueadas." A Internacional Progressista republicou a declaração nesta semana, em preparação para a mobilização.
30 de setembro de 1965 - Golpe na Indonésia: No dia 30 de Setembro de 1965, os militares indonésios, trabalhando em estreita colaboração com o governo dos EUA, iniciaram um golpe que deporia o Presidente Sukarno e instalaria a brutal ditadura de 30 anos do General Suharto.
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1º de outubro de 1949 – A República Popular da China: No dia 1º de outubro de 1949, foi proclamada a República Popular da China.
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Caetano Veloso é um renomado músico, escritor e ativista político brasileiro, notável por sua atuação no movimento Tropicália, no qual compartilhava uma postura política antiautoritária. Em 1968, Veloso e Gilberto Gil apresentaram-se no Rio de Janeiro exibindo uma obra de Hélio Oiticica que retratava seu amigo Cara de Cavalo—morto a tiros pela polícia em uma favela—acompanhada da frase "seja marginal, seja herói". Esse episódio, somado à interpretação do hino nacional em estilo tropicalista, levou à prisão de ambos e ao posterior exílio de Gil e Veloso.
O álbum "Estrangeiro" abordou a condição de ser um estrangeiro, tanto artística quanto geograficamente. Ao misturar estilos musicais, o artista buscava alcançar um público global com o disco, que foi produzido por Arto Lindsay. A arte da capa é de autoria de Arthur Fróes e Luciano Figueiredo.
