Internacional Progressista: Pode descrever o que aconteceu em Caracas na noite do sequestro do presidente Nicolás Maduro? Como está o clima no país? Vimos grandes mobilizações em toda a Venezuela, com a população indo às ruas para defender o governo. Como as pessoas estão se preparando para defender a Revolução Bolivariana após o ataque?
Cira Pascual Marquina: Eu estava a cerca de cinco quilômetros de um dos locais bombardeados quando o ataque aconteceu, então ouvi os aviões, aquele zumbido muito intenso, e depois as explosões, que fizeram as janelas vibrarem.
É claro que soubemos imediatamente que eram os EUA que estavam atacando. Eles vinham reunindo tropas ao redor da Venezuela desde agosto e, nos últimos 26 anos, a Venezuela tem sido alvo do imperialismo. Quando soubemos que o presidente Maduro havia sido sequestrado, as pessoas começaram a caminhar espontaneamente em direção a Miraflores, o palácio presidencial, em defesa da nossa soberania. Na marcha, todos falavam com muita força, comprometimento e disposição para o sacrifício, que é o que o momento exige.
Enquanto isso, naquele primeiro dia, depois de testemunhar tanta violência, outros optaram por ficar em casa e apenas algumas lojas abriram, algumas delas com filas. No entanto, o mais importante é que a cidade permaneceu em paz. Entre as pessoas que se reuniram e falaram ao redor do Palácio Miraflores havia uma sensação palpável de irmandade, dignidade compartilhada e disposição coletiva para lutar.
Se eu tivesse que resumir o sentimento da maioria — os chavistas —, diria que, por um lado, é raiva, muita raiva! Mas, por outro lado, também é de comprometimento com a continuidade da Revolução Bolivariana. E se você está comprometido com a revolução, você tem disposição para lutar por ela. Além do povo, o governo também agiu com clareza. Delcy Rodríguez, agora presidente interina, fez um discurso cerca de 12 horas após os ataques, cercada por toda a liderança militar e civil. A cena passou uma imagem poderosa de união.
Em seu discurso, ela disse algo que agora pode ser visto escrito nas paredes de Caracas: “Não somos colônia de ninguém” [“No somos colonia de nadie”]. Ela também disse, como Chávez e Maduro, que está disposta a manter um canal aberto de comunicação com o governo estadunidense. E logo depois houve anúncios sobre a possível venda de petróleo venezuelano aos Estados Unidos. Quando falamos sobre os acordos da Venezuela com os EUA, alguns na “esquerda” já estão dizendo o que a Venezuela pode ou não fazer. O que Lenin disse aos ultraesquerdistas (alguns dos quais acabaram se tornando colaboradores do inimigo), no contexto do Tratado de Brest-Litovsk em 1919, ainda é muito relevante hoje: “Se alguém aponta uma arma para o seu peito e exige seu dinheiro, você o entrega. Isso não é desistir do projeto, é uma concessão tática”. Pode haver algumas concessões, mas isso não deve ser entendido como uma entrega da nossa soberania. A Revolução Bolivariana não se renderá.
O mais importante é que, ao contrário do que Trump afirmou, o governo venezuelano é o governo escolhido pelo povo: um governo revolucionário, um governo chavista. A pessoa no comando agora está comprometida com o mesmo projeto de Maduro e Chávez. Se não fosse assim, não veríamos centenas de milhares de pessoas marchando nas ruas de Caracas e em todo o país em apoio à presidente interina Delcy Rodríguez e ao governo, enquanto exigem o retorno do presidente constitucional Nicolás Maduro e da deputada Cilia Flores.
O povo da Venezuela está com seu governo, e o governo está com o povo.
IP: A guerra híbrida visa criar confusão, desmoralização e fragmentação. Que práticas as comunas desenvolveram para manter o moral coletivo e a clareza política? E o que o resto do mundo poderia aprender com essas práticas?
CPM: Em 2006, Chávez declarou que o objetivo da Revolução Bolivariana era o socialismo. Para nós, as comunas são o caminho para esse objetivo — e, por si só, elas são uma experiência concreta e viva na construção socialista. Durante os piores anos do bloqueio, o governo foi forçado a se concentrar em questões e desafios urgentes, como reabrir canais para a venda de petróleo depois que as medidas coercitivas unilaterais dos EUA causaram o colapso das receitas. Mesmo assim, as comunas nunca deixaram de ser o horizonte estratégico da Revolução Bolivariana. De fato, foi justamente nos momentos mais difíceis, por volta de 2017, 2018 e 2019, que algumas comunas começaram a desabrochar de forma intensa. Um dos desenvolvimentos mais notáveis dos últimos quatro anos é que, após recuperar uma certa estabilidade econômica, o governo voltou-se mais uma vez de forma decisiva para as comunas, que agora estão no centro da vida política da Venezuela. As comunas da Venezuela não são governos autônomos, como às vezes se imagina. Sim, são territórios de democracia direta, baseados em assembleias onde as pessoas se reúnem para deliberar e decidir coletivamente como atender às suas necessidades. Mas também são as células básicas do socialismo — e o socialismo, para nós, é um projeto nacional. O objetivo não é apenas que as pessoas se reúnam em assembleias para deliberar sobre seus problemas e trabalhar em conjunto com o governo para resolvê-los, mas que as comunas também passem a controlar os meios de produção. Ao fazer isso, as relações sociais de produção começam a mudar: o excedente gerado pela propriedade comunal é regulado de forma consciente e democrática pela comunidade.
A produção é, dessa forma, orientada para as necessidades sociais, em vez de para a acumulação, abrindo um caminho real para romper com o metabolismo social autoritário e explorador do capital. Na minha comuna, El Panal, localizada em um bairro operário de Caracas, temos uma fábrica de processamento de carne, uma oficina de confecção de roupas e uma fábrica de sabão, entre outras empresas menores. O excedente de todas essas atividades volta para a comuna, e a comuna, coletivamente, em assembleia, decide o que fazer com ele: parte vai para a Pluriversidad, a iniciativa educacional da comuna, e outra parte pode ir para o pagamento dos salários da enfermeira ou para a manutenção da ambulância da comuna, etc. Isso é democracia substantiva em pequena escala. A partir daqui o metabolismo comunitário deve ser ampliado para nível nacional, o que chamamos de “Confederação Comunal” e outros chamam de “Estado Comunal”.
Essa virada do governo revolucionário em direção às comunas é altamente relevante para compreender o apoio maciço que o governo está recebendo da população. O povo não é estranho ao projeto promovido pelo “topo”: está no centro dele. As pessoas não se sentem espectadoras aqui. Somos sujeitos da transformação. Não nos sentimos vítimas. Somos os atores, até mesmo protagonistas, de um processo revolucionário com horizonte socialista, e o governo fala e age de acordo com a vocação coletiva do povo.
Para dar um exemplo concreto dessa sincronia entre governo e povo: nos últimos dois anos, o governo promoveu consultas populares em todo o país — uma forma radical e democrática de gestão de recursos na qual as próprias comunas decidem como alocar os fundos públicos e, em seguida, executam os projetos por meio da gestão direta dos fundos e do trabalho coletivo. Esse processo desencadeou o que podemos chamar de uma nova onda de comunização. Hoje, existem cerca de 4.500 comunas na Venezuela. Embora algumas tenham se tornado experiências socialistas extraordinárias, verdadeiros exemplos a serem seguidos, também é verdade que, antes das consultas, muitas estavam inativas ou apenas em fase inicial. No entanto, as consultas nacionais — promovidas pelo presidente Nicolás Maduro e agora prestes a continuar sob a liderança de Delcy Rodríguez — ativaram as comunas adormecidas, transformando-as em instrumentos vivos de poder coletivo.
Por que as pessoas apoiam o governo, apesar da certeza da continuidade da agressão dos Estados Unidos? Porque este não é um projeto imposto: é um processo coletivo e democrático. As pessoas lutam pelo que lhes pertence.
O capitalismo contemporâneo fragmenta a vida social. Uma das grandes conquistas da Revolução Bolivariana foi começar a reunir o que havia sido separado: as pessoas nas comunas não se veem mais como indivíduos isolados, mas como sujeitos de um projeto nacional de emancipação coletiva. Para uma leitura mais aprofundada, recomendo o que Chris Gilbert escreveu na revista Monthly Review sobre as comunas venezuelanas que fazem parte de um projeto anti-imperialista de libertação nacional.
Em uma comuna, a simples possibilidade de participação de assembleias onde centenas de pessoas se reúnem para decidir o que fazer reconstrói o que o capitalismo e o imperialismo destruíram. Os primeiros passos na reorganização da sociedade, tanto política quanto economicamente, já podem ser vistos em algumas comunas. E é isso que torna o Processo Bolivariano muito mais robusto em enfrentar a extorsão que o imperialismo dos EUA está tentando impor.
IP: Embora não seja algo sem precedentes, a natureza deste ataque mais recente foi talvez singular pela rapidez de sua execução. Como se trava uma guerra popular contra um inimigo que busca evitar o confronto direto, limitando-se a operações clandestinas cuidadosamente coreografadas ou ao uso de intermediários criminosos?
CPM: Antes de tudo, é preciso deixar claro o que aconteceu nas primeiras horas de 3 de janeiro: o ataque dos Estados Unidos e o sequestro do nosso presidente foi uma vitória tática para o imperialismo, que, como não surpreende, parece ter sido coordenada com o Mossad (agência de inteligência nacional de Israel). A superioridade tecnológica deles para realizar uma operação desse tipo é inegável. No entanto, há uma parte da história que muitas vezes não é contada: houve resistência. Mais de 100 pessoas foram mortas no ataque — a maioria integrantes das nossas forças armadas, que mantiveram suas posições na defesa do presidente, ao lado de internacionalistas cubanos. Civis venezuelanos também foram mortos. O sangue derramado diz algo que não pode ser apagado: esta não foi uma operação “cirúrgica”, mas um ato de guerra imperialista contra um povo soberano.
A vitória tática do imperialismo, no entanto, não se converterá em uma vitória estratégica. O povo da Venezuela sustenta o nosso governo chavista, e o nosso projeto de longo prazo das comunas segue vivo e forte.
O povo venezuelano vem se organizando há muito tempo para uma guerra popular. Em termos militares, estamos agora em uma fase de resistência: a Revolução Bolivariana está sob ataque há 26 anos e, na última década, o país tem enfrentado uma guerra econômica total. Esse regime de sanções devastou a economia, reduzindo drasticamente a receita do petróleo, interrompendo importações essenciais de alimentos, medicamentos, insumos agrícolas e peças de máquinas e, assim, contribuindo para dezenas de milhares de mortes evitáveis ao limitar o acesso a necessidades básicas e a tratamentos que salvam vidas.
Durante os anos mais difíceis, diante de uma campanha de punição incomum e extraordinária desencadeada pelos Estados Unidos contra o povo da Venezuela, mesmo com acesso reduzido a medicamentos e alimentos, o pueblo (povo)— especialmente aqueles organizados nas comunas — continuou ao lado de seu governo. Em resumo, o ataque mais recente não marca o início da guerra popular: é apenas sua intensificação. A resistência, a organização e a solidariedade — junto à preparação de um povo em armas (no caso venezuelano, a milícia, que conta com oito milhões de integrantes) — sempre estiveram no centro da guerra popular aqui, assim como ocorreu no Vietnã e na Argélia. O ataque mais recente apenas fortaleceu a determinação de lutar, aprofundando a disposição coletiva de defender a revolução, que encontra sua expressão mais clara nas comunas. As comunas são, por natureza, formações anticapitalistas. Elas não acomodam a burguesia. Ao contrário, são espaços orientados para a superação das relações sociais capitalistas. Ao fazê-lo, constroem a unidade de classe em torno de um horizonte nacional coletivo. É exatamente esse duplo enfoque — na libertação nacional e na transformação baseada na luta de classes — que torna as comunas instrumentos tão resilientes e poderosos da Revolução Bolivariana.
IP: No imediato pós-ataque, as ações das principais produtoras de petróleo dos Estados Unidos subiram acentuadamente. O que Washington busca em sua guerra híbrida contra a Venezuela? Trata-se apenas do petróleo ou do Processo Bolivariano como um todo? Que ameaça o sucesso da Revolução Bolivariana representa para os Estados Unidos?
CPM: Digamos primeiro aquilo que todos sabem, mas que ainda assim precisa ser dito: o mercado de ações é um mercado de abutres. Evidentemente, ele prospera com a guerra. De todo modo, voltando à Venezuela e à guerra que os Estados Unidos travam contra o seu povo, acredito que não é possível separar o interesse norte-americano no petróleo do país da intenção imperialista explícita de destruir o nosso projeto revolucionário. Há quem diga que se trata “apenas de petróleo”. Outros afirmam que Washington desencadeou uma campanha de punição coletiva para desencorajar outros países a seguirem o caminho da Venezuela e para destruir a força moral da Revolução Bolivariana. Esses objetivos se combinam sob o esforço de atacar a soberania venezuelana. A Venezuela é uma nação soberana, com imensos recursos naturais, e o imperialismo busca subordinar o país aos seus próprios interesses geopolíticos e econômicos.
A Revolução Bolivariana está sob ataque porque o povo da Venezuela definiu um projeto soberano com horizonte socialista e porque o Estado venezuelano detém o controle das reservas de petróleo do país. Uma coisa não pode ser separada da outra.
Uma revolução socialista, de libertação nacional, com petróleo sob o seu território? Isso é um problema real para os Estados Unidos.
Se a Venezuela não tivesse recursos petrolíferos, ainda assim seria alvo do imperialismo norte-americano, mas não com tamanha intensidade. Na época do ataque de 3 de janeiro, as forças dos Estados Unidos mantinham dezenas de navios de guerra, com dezenas de milhares de soldados, próximos às águas venezuelanas. A própria incursão envolveu mais de 150 aeronaves norte-americanas, e o ataque foi coordenado a partir de 20 bases diferentes dos EUA em todo o Hemisfério Ocidental. A operação exigiu meses de planejamento, que chegaram a incluir a construção de uma réplica em escala real do complexo presidencial para ensaios do ataque. O alvo? Uma nação determinada a ser soberana e socialista, assentada sobre as maiores reservas do mundo. Neste caso, as duas coisas — soberania e petróleo — caminham juntas.
IP: Como você avalia a resposta internacional ao ataque? Muitos Estados condenaram as ações dos Estados Unidos, mas muitos também deixaram de exigir a libertação do presidente Maduro ou de manifestar apoio ao seu governo. Diante de uma agressão tão explícita, o que essa “solidariedade parcial” — que rejeita o método empregado pelos EUA, mas não necessariamente seu objetivo — revela sobre a disposição dos Estados em atuar em uma ordem mundial ainda dominada pelo imperialismo norte-americano?
CPM: Embora alguns governos tenham emitido apenas rejeições tímidas ou “brandas” ao ataque, a realidade é que a maior parte da população mundial vive em países que, de uma forma ou de outra, condenaram essa violação do direito internacional. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, chegou a ligar diretamente para Delcy Rodríguez e convidá-la para Bogotá — um gesto que equivale ao reconhecimento dela como presidenta em exercício. Muitos outros chefes de Estado fizeram o mesmo, de maneiras diferentes. Isso é relevante e positivo.
O que é muito mais preocupante, no entanto, é o silêncio de fato das Nações Unidas. Não houve nenhuma resolução, nem haverá. Neste momento, a Organização das Nações Unidas (ONU) parece menos uma garantidora do direito internacional e mais uma instituição inoperante.
Do nosso lado — o lado dos trabalhadores e trabalhadoras do mundo — já existe um movimento global que se mobilizou inicialmente contra o genocídio sionista em Gaza, apoiado pelo Ocidente. A Palestina foi um sinal de alerta para milhões de pessoas, forçando muitas no Norte Global a encarar as realidades da violência colonialista e imperialista. Agora o ataque à Venezuela está se tornando um segundo alerta, que amplia a perspectiva daqueles que se opuseram ao genocídio, mas o enxergavam como uma atrocidade isolada, como uma aberração.
As mesmas estruturas e redes que levaram pessoas às ruas contra o genocídio agora estão se mobilizando em defesa da Venezuela e contra o imperialismo norte-americano em escala global. O que aconteceu na Venezuela expõe de forma clara o que o imperialismo realmente representa em sua fase atual de declínio: o uso da violência aberta para alcançar seus objetivos quando governos e povos se recusam a se submeter às suas imposições.
Precisamos compreender este momento como parte de um movimento mais amplo e emergente da classe trabalhadora contra o imperialismo em escala mundial. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos começam agora a conviver, em seu próprio território, com as mesmas formas de violência que há muito tempo impuseram ao Sul Global, à medida que sua ordem política interna assume contornos abertamente fascistas.
Assim, vemos múltiplos sinais de que a classe trabalhadora em muitos países — inclusive no Norte Global — começa a reconhecer o imperialismo como um inimigo comum e a entender a necessidade de lutar coletivamente contra esse inimigo. Pessoas nos Estados Unidos que resistem ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), que hoje funciona como uma verdadeira Gestapo, começam a se confrontar com a violência interna que nós, no Sul Global, enfrentamos há muitas décadas. À medida que, coletivamente, passamos a compreender o que o imperialismo realmente é — por meio da Palestina, pelo retorno de seus velhos métodos ao centro imperial e, agora, pelo ataque à Venezuela —, começam a se formar as condições para superá-lo. Aqui na Venezuela isso nos dá esperança.
IP: Ao longo de sua história, os Estados Unidos violaram e desconsideraram repetidamente a soberania de outros Estados, com poucas ou nenhuma consequência. Diante disso, o centro da crise não seria apenas o direito internacional em si, mas sua aplicação assimétrica em que a ordem internacional acaba sendo regida por hierarquias de poder bruto?
CPM: De fato. Não faz muito tempo a Líbia — para citar apenas um exemplo — sofreu praticamente o mesmo desrespeito flagrante ao direito internacional por parte da chamada comunidade internacional que hoje dirige a ONU, se não foi algo ainda pior. Não há mistério nisso: o imperialismo norte-americano demonstra sua capacidade de provocar devastação há mais de um século, e os novos espaços multilaterais nos quais alguns de nós depositávamos esperança até poucos anos atrás — em especial os BRICS —, até agora, não conseguiram apresentar uma resposta diante deste ataque.
Mas há algo que eu sei: o povo da Venezuela não está sozinho como o povo da Líbia esteve há quinze anos. As peças começam a se encaixar para aproximar os trabalhadores e trabalhadoras do Sul Global e do Norte Global, porque as intenções do inimigo já não estão ocultas — elas foram expostas de forma incontestável desde o início do genocídio contra o povo da Palestina. E quando as classes trabalhadoras da periferia e do centro imperialista se unem em uma luta comum, então podemos realmente dizer que o sol começa a despontar no horizonte.
IP: O que movimentos sociais, sindicatos e partidos políticos ao redor do mundo podem fazer agora para se solidarizar com o povo venezuelano e com a Revolução Bolivariana diante dessa ofensiva crescente?
CPM: Acho que, neste momento, é fundamental que as pessoas se mobilizem nas ruas, mas também que se esforcem para compreender de fato o que está acontecendo aqui e para confrontar a grande mídia, que distorce completamente a realidade. Eles dizem que o povo está celebrando o ataque e, embora algumas centenas possam ter se reunido para isso em Miami, centenas de milhares saem às ruas de Caracas todos os dias para condenar o sequestro e apoiar o governo revolucionário. Dizem que vivemos em uma situação de caos absoluto, quando, na verdade, vivemos em um país em paz.
Precisamos enfrentar a narrativa da mídia corporativa, que serve aos interesses de uma pequena minoria e reproduz claramente mentiras para fabricar consentimento para a guerra e encobrir a violência imperialista. Essas mentiras fazem parte de uma guerra multifacetada contra o povo da Venezuela e contra o nosso projeto soberano. Talvez essa seja a tarefa mais importante de todas: romper o domínio da narrativa dominante. Não é fácil — não conseguimos fazer isso sozinhos — e é exatamente por isso que essa tarefa é tão importante.
Para obter informações de qualidade, há um caminho relativamente simples no qual meu colega Chris Gilbert e eu temos insistido: ouvir a liderança do governo revolucionário — Delcy Rodríguez, Diosdado Cabello, Vladimir Padrino López. Eles contam com o apoio total do povo, e a mensagem que transmitem é clara.
Por fim, eu incentivaria aqueles que desejam defender o Processo Bolivariano a conhecer o horizonte estratégico da revolução, um projeto anti-imperialista, socialista e profundamente comunal. Defender a soberania da Venezuela é, claro, essencial neste momento. Mas a soberania venezuelana está entrelaçada com o projeto comunal, enraizado em uma democracia substantiva. Em um mundo obscurecido pela guerra e pela desinformação, a construção comunal não é apenas um projeto político — é uma fonte viva de esperança.
Portanto, é isso que eu diria às pessoas: ocupem as ruas para protestar contra o ataque imperialista à Venezuela; busquem a verdade ouvindo a liderança da Revolução Bolivariana; confrontem a narrativa dominante; e aprendam com — e se inspirem na — força viva do movimento comunal.
Cira Pascual Marquina é autora e educadora popular na Pluriversidad Patria Grande, iniciativa educacional da Comuna El Panal, além de professora da Universidade Bolivariana da Venezuela. Ela também é fundadora e coapresentadora (junto com Chris Gilbert) do programa e podcast de formação marxista Escuela de Cuadros.
Translated by Rafael Tassi, Helena Vasena, and ProZ Pro Bono.
