Aqui vai uma estatística impressionante: nos últimos cinco anos, os membros europeus da OTAN e o Canadá aumentaram seus gastos militares em um ritmo superior ao das seis grandes potências europeias nos cinco anos que antecederam a Primeira Guerra Mundial. Se atingirem a meta de gastos de 5%, conforme exigido pela OTAN, em breve gastarão mais com armamentos do que a Grã-Bretanha gastava às vésperas da Primeira Guerra Mundial.
Hoje, há mais conflitos armados ativos no mundo do que em qualquer outro momento desde 1946. Todos, exceto um, ocorrem no Sul Global. Seja disponibilizando infraestrutura aeroportuária para ataques aéreos, seja realizando os bombardeios, seja vendendo as armas, seja oferecendo cobertura diplomática aos beligerantes, os países da OTAN estão implicados em todos eles.
A guerra também é travada dentro de casa. A meta de 5% acordada na Cúpula da OTAN em Haia vem sendo paga com o congelamento de aposentadorias em Bucareste, cortes nos benefícios por deficiência em Londres e a suspensão do auxílio-desemprego em Bruxelas. Para viabilizar esses cortes, os Estados europeus estão reduzindo o estado de bem-estar social. Para a classe trabalhadora europeia, a escalada da violência imperialista no exterior vem acompanhada de uma erosão ainda maior da democracia em casa.
Nosso novo relatório, "Do bem-estar social à guerra: gastos militares e austeridade em todo o bloco da OTAN"(Welfare to Warfare: Military Spending and Austerity Across the NATO Bloc, no original em inglês), acompanha esse “efeito bumerangue” país por país. Ele examina como o aumento dos orçamentos para armamentos é drenado do estado de bem-estar social—que, por sua vez, foi arrancado do capitalismo por décadas de luta trabalhista combativa. O relatório está disponível para download aqui.
É por isso que, em 30 de outubro de 2026, trabalhadores portuários da Europa se mobilizarão para um “dia internacional de ação contra o militarismo e a guerra”. Trabalhadores de quarenta portos do Mediterrâneo realizarão ações coordenadas de greve, paralisando os terminais por onde passa a máquina de guerra. A ação nasce da Declaração de Istambul, assinada em maio por uma coalizão crescente de sindicatos de trabalhadores portuários, que declarou que os portos pertencem aos povos e aos trabalhadores—não à OTAN, e nem aos donos das embarcações—e convocou trabalhadores e trabalhadoras de toda parte a expor os carregamentos de guerra e se recusar a movimentá-los.
Esse dia global de ação foi motivado pelo genocídio contínuo de Israel contra o povo palestino. Mas ele vai além. Ao reconhecer o papel dos Estados Unidos, da União Europeia e da OTAN no fomento de conflitos em todo o mundo, a mobilização mira todo o aparato coercitivo do imperialismo—do Irã e do Iêmen a Cuba e à Venezuela.
Na Europa, ações desse tipo são tão raras quanto arriscadas. Na Itália, por exemplo, os portos agora são classificados como instalações de segurança nacional—a Procuradoria-Geral do Estado italiano declarou recentemente que o país faz parte de uma “guerra mundial fragmentada e híbrida”—e as greves podem acarretar severas sanções legais. Os trabalhadores que cruzarem os braços em 30 de outubro poderão enfrentar perda de salários, processos judiciais e retaliação por parte dos empregadores.
E, ainda assim, essas ações são urgentes. Há mais de cinquenta anos, Frantz Fanon exortou as massas europeias a “parar de assumir o papel irresponsável da Bela Adormecida” e a reconhecer quantas vezes elas haviam “se alinhado à posição da elite colonizadora nas questões coloniais”. Os trabalhadores portuários estão se preparando para romper esse longo impasse.
É por isso que estamos lançando uma campanha de arrecadação para apoiar trabalhadoras, trabalhadores e sindicatos participantes antes da greve de 30 de outubro. Cada contribuição será destinada diretamente aos sindicatos envolvidos—para compensar salários perdidos, custear a defesa jurídica e atender às necessidades que surgirem naquele dia. Contribua com o que puder e compartilhe o fundo com seus companheiros e aliados.
Se a campanha for bem-sucedida, esperamos levá-la ainda mais longe—a todos os lugares onde os trabalhadores possam deter os fluxos que alimentam a máquina de guerra da OTAN.
No início deste mês, o Prêmio da Paz Seán MacBride reconheceu outra dimensão desse movimento: as flotilhas. Também no início deste mês, o Bureau Internacional da Paz homenageou a Freedom Flotilla Coalition, a Global Sumud Flotilla e o Comboio Nuestra América por navegarem contra os bloqueios impostos à Palestina e a Cuba—levando alimentos, medicamentos e solidariedade.
As flotilhas buscam romper os bloqueios que privam as pessoas de alimentos, medicamentos e combustível. Os trabalhadores portuários, em 30 de outubro, buscam deter as armas com as quais os bloqueios são impostos. São duas peças, entre muitas necessárias, para completar o grande quebra-cabeça de nossa libertação coletiva.
Índia se levanta contra a privação em massa do direito ao voto
Em 10 de outubro, o governo de Narendra Modi impôs um bloqueio em Déli para impedir uma manifestação em massa contra a retirada de mais de 130 milhões de nomes das listas eleitorais preliminares da Índia. Milhares de policiais e integrantes de forças paramilitares foram mobilizados; serviços ferroviários foram cancelados, estações de metrô foram fechadas e milhares de manifestantes foram detidos.
Estudantes, sindicalistas, agricultores e partidos de oposição exigem a renúncia do chefe da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar, e a reversão da Revisão Intensiva Especial, que, segundo críticos, atinge de forma desproporcional eleitores muçulmanos, dalits e outros grupos marginalizados.
Das barricadas em Jantar Mantar, o Observatório da Internacional Progressista emitiu um Alerta Vermelho, exigindo a retirada das forças de segurança, uma investigação independente sobre a Comissão Eleitoral e a restauração do direito ao voto.
Pequenos agricultores da Tanzânia se reúnem em defesa da soberania alimentar
De 29 de setembro a 1º de outubro, 850 pequenos agricultores de toda a Tanzânia se reuniram em Morogoro para a Conferência Nacional de Pequenos Agricultores e a 31ª Assembleia Geral Anual da Mtandao wa Vikundi vya Wakulima Tanzania (MVIWATA), sob o tema “Rumo à soberania alimentar: segurança da terra, agroecologia e justiça econômica para pequenos agricultores”. Agricultores relataram perdas de terras e de vidas em conflitos fundiários ainda não resolvidos, enquanto delegados e delegadas de cinco regiões descreveram um sistema de comercialização que deixa a definição dos preços nas mãos de terceiros.
A conferência decidiu levar os casos fundiários dos membros ao governo, documentar as falhas nos mercados agrícolas, criar um banco de sementes dedicado a variedades tradicionais e abrir um fórum inclusivo sobre o comércio de carbono. Representações diplomáticas de Cuba e da Palestina estiveram presentes, e pequenos agricultores declararam solidariedade aos povos cubano e palestino.
Brasil vai decidir eleição presidencial no segundo turno
A eleição presidencial brasileira será decidida no segundo turno, em 25 de outubro, depois que nenhum candidato obteve maioria no primeiro turno, em 4 de outubro. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ficou à frente, com 47% dos votos válidos, contra 45% do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.
O Observatório da Internacional Progressista está acompanhando de perto o processo eleitoral, incluindo intimidação política, desinformação e tentativas de interferência estrangeira, para ajudar a proteger o direito dos brasileiros de determinar seu próprio futuro.
Entregadores denunciam alimentos vencidos
Entregadores da Swiggy Instamart protestaram em frente a um depósito em Hyderabad (Índia) em 7 de outubro, alegando que a direção os obrigava a entregar alimentos vencidos e bloqueava suas contas quando eles se opunham. Posteriormente, fiscais de segurança alimentar encontraram 14 produtos vencidos, incluindo leite, paneer e suco.
A Telangana Gig and Platforms Workers Union, integrante da Internacional Progressista, apoiou os trabalhadores, que registraram uma queixa policial, e exigiu inspeções em depósitos de comércio rápido em todo o estado de Telangana. O dirigente sindical Shaik Salauddin argumentou que os trabalhadores que denunciam produtos inseguros devem ser protegidos, e não punidos.
Agricultores do Paquistão preparam mobilização nacional
Trinta e seis organizações de agricultores de todo o Paquistão estão preparando protestos nacionais para 18 de outubro contra o aumento dos custos de produção e a privatização da compra de trigo. Reunida pelo Pakistan Kissan Rabita Committee (PKRC), integrante da Internacional Progressista, a coalizão exige preços garantidos para o trigo e a cana-de-açúcar, a retomada da compra pública de trigo, de fertilizantes e de combustíveis a preços acessíveis, e maior participação dos agricultores na política agrícola.
Segundo o PKRC, os produtores estão sendo pressionados dos dois lados: pagam mais para produzir e, depois, enfrentam dificuldades para obter um preço justo na colheita.
Socialistas malaios levam a solidariedade a Cuba a todo o país
O Parti Sosialis Malaysia (PSM), integrante da Internacional Progressista, marcou o Dia Global de Solidariedade contra o bloqueio a Cuba, em 10 de outubro, com ações simultâneas em várias partes da Malásia. Integrantes do PSM distribuíram informações ao público sobre o impacto das sanções dos Estados Unidos e convocaram os malaios a demonstrar solidariedade a Cuba.
A mobilização nacional fez parte de um dia internacional de ação que exige o fim do bloqueio estadunidense, imposto há décadas, e defende o direito de Cuba à soberania e à autodeterminação diante da agressão imperialista.
Howard Zinn em húngaro
“Que ‘tipo de disposição’, que ‘arranjos morais’ nos levariam a perpetrar (como pilotos de bombardeiros, cientistas atômicos ou líderes políticos) ou simplesmente aceitar (como cidadãos obedientes) a queima de crianças em grande escala?”, perguntou o falecido historiador estadunidense Howard Zinn em The Bomb (A Bomba, na edição brasileira).
O livro será publicado em húngaro pelo Théâtre le Levain (Teatro Fermento), um teatro independente francês fundado por Attila Piróth, tradutor húngaro da Internacional Progressista. Entre os autores traduzidos pelo Théâtre le Levain estão Silvia Federici, Ibram X. Kendi, Naomi Klein, Ilan Pappe, Jason Stanley, Working Class History, Jean Ziegler e Howard Zinn. A editora pretende levar as ideias de Zinn às escolas secundárias húngaras.
Você pode apoiar a iniciativa, que inclui a doação de exemplares gratuitos a bibliotecas escolares, aqui.
4 de outubro de 1936 — A Batalha de Cable Street: No episódio que ficou conhecido como a Batalha de Cable Street, cerca de 250 mil moradores, sindicalistas e comunistas se uniram, em 4 de outubro de 1936, para impedir a marcha fascista de Oswald Mosley rumo ao coração da comunidade judaica da capital.
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7 de outubro de 1949 — Fundação da República Democrática Alemã: Conheça e compartilhe essa história neste carrossel do Instagram, elaborado com um belo projeto gráfico.
Tabitha Arnold é uma artista têxtil e organizadora trabalhista dos Estados Unidos. Ela descreve suas obras como “arte intensiva em trabalho”: grandes tapeçarias feitas com agulha de punch needle, cada uma bordada à mão ao longo de cerca de duzentas horas, que retratam greves e lutas do movimento trabalhista estadunidense em um estilo que combina iconografia religiosa, realismo socialista e frisos antigos. Hot Labor Summer (2023)—uma tapeçaria de lã sobre linho cujo nome faz referência à onda de greves que varreu os Estados Unidos naquele ano, da UPS às fábricas automobilísticas—está entre suas obras mais conhecidas.
Arnold chegou à arte por meio da organização trabalhista: ela própria sindicalizou a loja de café onde trabalhava, na Filadélfia. Hoje, suas obras estão expostas no Museu de Belas-Artes de Boston e também viajam para atos sindicais, instaladas nos mastros das faixas da Marcha dos Mineiros de Durham (Durham Miners’ Gala).
