Neste fim de semana, negociadores norte-americanos e iranianos deverão se reunir em Islamabad, onde o Paquistão estabeleceu um cordão de segurança ao redor da capital na tentativa de sustentar um frágil cessar-fogo.
Os ganhos estratégicos do Irã após seis semanas de bombardeios aéreos podem ser lidos no cerne da agenda de negociações: o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
Antes do ataque dos EUA e de Israel contra o Irã— deflagrado pelo assassinato de altos funcionários iranianos em meio a negociações—o Estreito de Ormuz era tratado em Washington como um fato permanente do império: uma estreita via marítima por onde o petróleo mundial fluiria sob proteção norte-americana, cotado em dólares, disciplinado por sanções e respaldado por bases no Golfo que projetavam a força americana por toda a região.
Esse fato já não existe mais—e, muito provavelmente, jamais voltará a vigorar. Mesmo após o cessar-fogo anunciado em 7 de abril, o tráfego de navios através de Ormuz permanece muito abaixo do normal, situando-se em cerca de 5% a 10% dos níveis pré-guerra. A via marítima, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, encontra-se agora, na prática, sob controle iraniano, com a Guarda Revolucionária orientando embarcações através de águas iranianas, nas proximidades da Ilha de Larak.
O plano de cessar-fogo de 10 pontos de Teerã inclui uma taxa de 2 milhões de dólares por petroleiro (aproximadamente 10 milhões de reais), a ser paga em criptomoeda em vez de dólares—um sinal não apenas de vantagem militar, mas também do esforço de Teerã para direcionar o comércio para além dos canais financeiros que Washington utiliza há muito tempo para disciplinar seus inimigos.
O antigo arranjo era simples: o petróleo iraniano podia ser alvo de sanções, enquanto o do Golfo continuaria a fluir. Isso acabou. Os Estados Unidos foram forçados a conceder uma isenção temporária às sanções sobre as exportações de petróleo iraniano, em um esforço para atenuar o choque de oferta.
A mesma potência que passou anos tentando bloquear o acesso do Irã aos mercados globais agora improvisa exceções para mitigar as consequências de sua própria escalada militar. Em outras palavras, a guerra para destruir a República Islâmica fortaleceu sua posição estratégica.
Nem o custo recaiu apenas sobre o Irã. As bases norte-americanas, outrora apresentadas como instrumentos de domínio regional, revelaram-se passivos—sendo atacadas, evacuadas ou colocadas em estado de alerta máximo por todo o Golfo e no Mediterrâneo Oriental. As seguradoras de transporte marítimo recalibraram o risco em toda a região. Os mercados de energia permanecem voláteis. E, agora, Washington exige que seus aliados ajudem a limpar a bagunça: o Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, informou aos governos europeus que Trump deseja receber, nos próximos dias, medidas concretas para ajudar a garantir a segurança do Estreito de Ormuz—em meio a ameaças renovadas de que Washington poderia, afinal, abandonar a própria aliança por meio da qual há muito organiza seu império.
A Europa, por sua vez, assistiu aos acontecimentos desenrolarem-se, em grande medida, da arquibancada. Reduzidos a postos de reabastecimento para as missões de bombardeio dos EUA e a espectadores em negociações que não ajudaram a moldar, os governos europeus exerceram pouca influência sobre o curso da guerra ou sobre suas consequências. Os álibis morais da incursão militar dissolveram-se com notável rapidez. O que começou com a familiar propaganda de "libertação" e "democratização" transformou-se rapidamente em uma ameaça de destruição permanente da civilização iraniana.
Em todo o Irã, civis reagiram com desafio, formando cordões humanos em torno de infraestruturas críticas—cenas que capturaram o efeito político mais profundo da guerra: o bombardeio não fraturou a sociedade iraniana; muito pelo contrário, endureceu-a contra a coerção estrangeira. Conforme afirmou a Resolução de Teerã, assinada nesta semana por mais de quarenta movimentos em todo o mundo: “a guerra contra o Irã é, em sua essência, uma guerra para preservar a arquitetura em ruínas da supremacia ocidental”.
Longe de ter sido intimidado à submissão, o Irã emerge com maior influência sobre a artéria vital energética da região, uma posição mais sólida em termos de dissuasão e uma nova demonstração de que nem sanções nem bombardeios são capazes de apagá-lo do equilíbrio de poder regional. As monarquias do Golfo, os mercados de energia, Washington e seus aliados à deriva devem agora confrontar-se com uma realidade há muito negada nas capitais ocidentais: o Irã não pode ser tratado como irrelevante.
Do ponto de vista do governo de Benjamin Netanyahu, uma situação em que o Irã sobreviva, preserve sua profundidade estratégica e converta sua resiliência militar em alavancagem diplomática e econômica constitui uma clara derrota estratégica. A escalada dos ataques de Israel contra o Líbano—e a insistência de que Beirute se situa fora do âmbito do cessar-fogo—representa um esforço para reverter, por outros meios, aquilo que não pôde ser alcançado por meio do bombardeio direto ao Irã.
Como o Gabinete da Internacional Progressista alertou essa semana: “A agressão letal de Israel no Líbano não pode ser compreendida de forma isolada”, mas faz parte de “uma campanha mais ampla de terra arrasada para estabelecer a Grande Israel e sufocar as forças de resistência que se interpõem em seu caminho—estejam elas em Gaza, Beirute ou Teerã.”
Nenhum documento proveniente de Islamabad pode garantir o cessar-fogo enquanto as potências que provocaram esta guerra ainda buscam ditar o seu desfecho. Israel amplia o ataque ao Líbano; Washington reserva-se o direito de retomar o bombardeio a qualquer momento; e a própria diplomacia transcorre sob a sombra, já familiar, dos assassinatos.
Mas os EUA e Israel não detêm o comando da escalada; o Irã, sim, pois possui as chaves de Ormuz.
Por enquanto, os navios-tanque avançam lentamente pelo estreito sob a vigilância iraniana, enquanto diplomatas se reúnem no Paquistão sob escolta armada. A velha ordem na Ásia Ocidental está morrendo. A questão é o que emergirá de seus escombros.
Para as forças progressistas em todo o mundo, a tarefa não é meramente observar o declínio imperial—mas organizar a ordem mais igualitária que o substituirá.
Lei histórica sobre o trabalho de plataformas é aprovada em Telangana, Índia
Em 30 de março de 2026, a Assembleia Legislativa de Telangana aprovou uma lei histórica que estende a proteção social aos trabalhadores informais e de plataformas, marcando um dos avanços mais significativos para esses trabalhadores e trabalhadoras no Sul Global.
A legislação estabelece um conselho de assistência social e um fundo—financiados, em parte, por contribuições das plataformas digitais—para oferecer benefícios como seguro contra acidentes, cobertura de saúde e apoio à renda, criando, simultaneamente, um sistema formal para o registro de trabalhadores e a resolução de reclamações. A lei, que foi saudada pelo Sindicato dos Trabalhadores Informais e de Plataformas de Telangana (membro da Internacional Progressista), é amplamente vista como um passo fundamental rumo ao reconhecimento dos direitos e da dignidade de centenas de milhares de trabalhadores na economia de plataformas.
5 de abril de 1949 — OTAN
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi fundada neste dia, em 1949. Para Fidel Castro, a aliança militar era “o instrumento de repressão mais pérfido conhecido pela humanidade”. Saiba mais sobre a OTAN aqui.
7 de abril de 1930 — Vilma Espín
A revolucionária cubana e fundadora da Federação das Mulheres Cubanas, Vilma Espín, nasceu em Santiago de Cuba neste dia, em 1930. Saiba mais sobre Espín aqui.
9 de abril de 1936 — Ghassan Kanafani
Autor palestino, marxista revolucionário e membro da Frente Popular para a Libertação da Palestina, Ghassan Kanafani nasceu neste dia em 1936. Saiba mais sobre Kanafani aqui.
Cúpula interna da Mesquita do Xá, Isfahan, Irã (concluída em 1629)
Uma obra-prima da arquitetura safávida, sua geometria espiralada e os luminosos azulejos permanecem entre as conquistas mais celebradas da civilização artística persa.
