Briefing

Newsletter da Internacional Progressista | No.  17 | Votos, Tratores, e Bombas

A Internacional Reacionária avança por meio de eleições, da apropriação de terras e territórios e da militarização.
Na 17ª Newsletter da Internacional Progressista de 2026, além de outras notícias do mundo, nós enviamos notícias do Peru, da Albânia e de Bruxelas sobre a luta contra a máquina de captura da Internacional Reacionária. Quer receber a nossa newsletter diretamente no seu email? Inscreva-se pelo formulário no final desta página.

A Internacional Reacionária avança de muitas formas. Às vezes por meios eleitorais. Às vezes pela lâmina de um trator. Às vezes, como uma rubrica orçamentária para armamentos.

No Peru, ela avança sob a alcunha da ordem. No momento em que este boletim foi escrito, a eleição presidencial do país continua aguardando um desfecho: com 100% das cédulas de votação processadas, Keiko Fujimori lidera Roberto Sánchez por apenas 4.209 votos, enquanto 1.551 cédulas, cada uma contendo geralmente 200-300 votos—o suficiente para decidir a presidência—ainda aguardam revisão. Uma das heranças autoritárias mais violentas da América Latina encontra-se agora numa margem suficientemente pequena para caber em algumas urnas. Fujimori chama seu programa de “Peru com Ordem”. O Peru já experimentou a ordem fujimorista antes. O regime do seu pai fechou o Congresso, desmantelou a Constituição, administrou o Estado por meio de serviços de inteligência, supervisionou massacres e esterilizações forçadas e fez da corrupção um método de governo. Keiko Fujimori abraçou essa herança: prometendo uma “guerra frontal” contra o crime, a extensão das funções militares e dos serviços de inteligência e um regresso à lógica de segurança da década de 1990.

Na Albânia, a ordem dá lugar a outra promessa: o desenvolvimento. Lá, o mundo de Trump-Kushner da riqueza herdada, do acesso ao Estado e do luxo privado chegou ao litoral. Jared Kushner e Ivanka Trump tornaram-se os rostos de um projeto turístico que ameaça Vjosa-Narta e a Ilha de Sazan: uma paisagem de lagoas, dunas, flamingos, focas e áreas de nidificação (ou desova) de tartarugas, agora marcada por cercas e equipamentos de construção.

Cercas e máquinas pesadas já entraram na área protegida. Os trabalhos preparatórios começaram antes mesmo da licença de construção ou de uma avaliação formal de impacto ambiental. A Comissão Europeia alertou Tirana para que se “aja sem demora”, sob o risco de infringir as normas ambientais exigidas para a adesão à UE. O lema do movimento de protesto é simples: a Albânia não está à venda.

Os movimentos no Peru e na Albânia são, fundamentalmente, lutas pela soberania. Fujimori oferece ordem, e Kushner oferece desenvolvimento, promessas que escondem uma agenda comum de captura privada, desregulamentação e submissão a interesses corporativos estrangeiros. Ambos veem a democracia como um obstáculo à sua agenda.

Trate esses episódios separadamente e o padrão desaparece.

Na semana passada, em Bruxelas, a Internacional Progressista, a Fundação Rosa Luxemburgo, e o transform! Europe convocaram a primeira conferência de trabalho do Consórcio de Pesquisa sobre a Internacional Reacionária. Investigadores, jornalistas, juristas, cientistas de dados, tomadores e tomadoras de decisões reuniram-se para mapear a máquina: os conglomerados de tecnologia, os fluxos financeiros, os institutos de pesquisa, as redes de comunicação social, as operações eleitorais, as alianças de segurança e os interesses empresariais que ligam as forças reacionárias através das fronteiras.

A Internacional Reacionária não é centralmente comandada. Mas sua ascensão também não é acidental. Dinheiro, mídia, litígios, plataformas, tribunais, poderes policiais, negócios imobiliários e orçamentos para armamentos movem-se na mesma direção: a captura do poder público, a privatização da riqueza social e o impedimento de que o povo se coloque em seu caminho. Delegados e delegadas da Conferência de Bruxelas discutiram como a Internacional Reacionária é poderosa, mas não invencível. Seu dinheiro pode ser rastreado. Suas vulnerabilidades legais podem ser testadas. Suas estratégias de informação podem ser decodificadas. Suas coalizões podem ser divididas. Sua máquina pode ser desmantelada. O trabalho agora é passar da exposição à ruptura e, em seguida, da ruptura à construção.

No domingo, as ruas de Bruxelas mostraram o outro lado desse trabalho. Sob a bandeira do “Sim ao bem-estar, não à guerra”, milhares marcharam contra a militarização e os planos da UE para um aumento de € 800 bilhões (aprox. 4,7 trilhões de reais) nos gastos com armamentos, enquanto os serviços públicos, a saúde, a educação, a ação climática e a proteção social são relegados a segundo plano. A militarização não está dissociada da Internacional Reacionária. É uma de suas formas mais puras. A ameaça e a aplicação da força militar são sempre seus recursos de retaguarda, prontas para atacar e desmantelar qualquer processo revolucionário incipiente que não se renda facilmente a outras estratégias de subordinação.

De Lima a Vjosa-Narta e Bruxelas, o padrão é familiar: as antigas potências coloniais estão se rearmando, reafirmando seu controle sobre o Sul Global e desmantelando ordens sociais democráticas que sempre estiveram em desacordo com o domínio capitalista. Nossa tarefa não é apenas denunciar essas manobras. Nossa tarefa é expô-las, desestabilizá-las e derrotá-las, construindo uma contra-internacional forte o suficiente para enfrentá-las.

A Internacional Reacionária está organizada. Nós também precisamos nos organizar.

Últimas do Movimento

Trabalhadores informais da Nigéria exigem democracia de verdade

No Dia da Democracia da Nigéria, o membro mais recente da Internacional Progressista, a Federação das Organizações de Trabalhadores Informais da Nigéria (FIWON), foi às ruas protestar contra a pobreza, o desemprego, a insegurança e os sequestros. A FIWON alertou que a crise de segurança na Nigéria está intrinsecamente ligada à exclusão dos trabalhadores informais—93% da força de trabalho—de pensões, assistência médica, trabalho seguro e proteção social. Para milhões de pessoas que mantêm o país funcionando, a democracia muitas vezes significou “a liberdade de lutar sozinhos”. Eles exigem uma democracia que proteja trabalhadores e trabalhadoras, resgate os sequestrados e garanta dignidade à maioria.

Faça a Amazon pagar pela segurança dos trabalhadores

Em Haldwani, na Índia, Narendra Prasad, de 35 anos, e Amit Arya, de 25, morreram após um incêndio que destruiu um armazém da Amazon. A polícia informou que seus corpos foram encontrados no interior do prédio depois que o fogo foi controlado. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Amazon na Índia, Dharmendra Kumar, relatou que uma equipe de investigação não encontrou saídas de emergência, exaustores ou qualquer forma da fumaça escapar. “Não estamos pedindo o impossível”, escreveu Kumar. “Estamos pedindo saídas de emergência.” Por meio de seus sindicatos e da campanha Make Amazon Pay (Faça a Amazon Pagar), trabalhadores na Índia e em todo o mundo exigem o que os lucros da Amazon já deveriam garantir: armazéns seguros, negociação coletiva e o direito de recusar trabalhos perigosos.

Moradores de barracos na África do Sul marcham contra a criminalização

O grupo Abahlali baseMjondolo, membro da Internacional Progressista, marchou em Durban, Joanesburgo e Mpumalanga na sexta-feira, 12 de junho, contra o projeto de emenda constitucional PIE (Prevenção do despejo ilegal e da ocupação ilegal de terras) da África do Sul—uma lei que, segundo o movimento, criminalizaria os pobres por ocuparem terras, enquanto a crise habitacional permanece intocada. O projeto de lei ampliaria os poderes contra "ocupações ilegais" em um país onde a desapropriação de terras do apartheid permanece sem solução e milhões ainda vivem sem moradia segura. A resposta do Abahlali é terra, moradia e dignidade.

Polícia queniana invade escritórios de organizadores em Mathare antes do lançamento de livro

A polícia invadiu os escritórios do Centro de Justiça Social de Mathare, membro da Internacional Progressista, antes do lançamento de From Mau Mau to Ruto Must Go, um livro que traça a história da resistência anti-imperialista no Quênia, desde a luta Mau Mau até a revolta da Geração Z contra William Ruto. Os policiais entraram no local, interrogaram os organizadores e interromperam os preparativos do evento. O lançamento, entretanto, aconteceu. A invasão revelou a continuidade que o livro registra: da repressão colonial aos ataques atuais contra centros de justiça social, os governantes do Quênia ainda temem a memória organizada da terra, da liberdade e da resistência.

Nossa História

5 de junho - Jamboree em Jamba: A chamada "Internacional Democrática" reuniu-se no sudeste de Angola em 5 de junho de 1985. Financiado por Lewis Lehrman, um milionário ex-candidato republicano ao governo, o jamboree em Jamba reuniu representantes dos Contras nicaraguenses, dos mujahidin afegãos, dos reels laosianos e da UNITA de Jonas Savimbi, que sediou o encontro em sua sede operacional.

Saiba mais sobre este encontro da Internacional Reacionária da Guerra Fria aqui.

9 de junho - A Revolução de Dhofar: Em 9 de junho de 1965, a Frente de Libertação de Dhofar (DLF) anunciou o início da luta armada contra o Sultanato de Mascate, apoiado pelos britânicos, em Omã.

Saiba mais sobre a revolução aqui.

14 de junho - Nasce Che: O revolucionário marxista Ernesto Che Guevara nasceu em Rosário, Argentina, em 14 de junho de 1928.

Comemore Che Guevara aqui.

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Date
15.06.2026
Progressive
International
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