No dia 3 de junho, Donald Trump entrou na disputa eleitoral da Colômbia. Diretamente da Casa Branca, ele declarou seu “apoio total e irrestrito” a Abelardo de la Espriella, atacou nominalmente o adversário Iván Cepeda e disse aos colombianos que o voto deles era “muito importante” para a relação do país com os Estados Unidos.
No domingo, o povo colombiano volta às urnas para o segundo turno da eleição presidencial. A disputa ajudará a decidir o destino do primeiro governo de esquerda da Colômbia—e o futuro de um hemisfério que agora enfrenta uma nova campanha de recolonização por parte de Washington.
Cepeda representa a continuidade da transformação inacabada do Pacto Histórico: aumento salarial, reforma agrária, previdência pública, desenvolvimento soberano e a busca pela paz após décadas de conflito interno. De la Espriella encarna o contraprojeto em sua forma mais crua. O advogado de paramilitares e oligarcas promete megapresídios, fracking (técnica de extração de gás natural e petróleo cru por meio do fraturamento de rochas), austeridade, segurança militarizada e o fim das negociações de paz. Na semana passada, Cepeda apresentou uma denúncia criminal acusando seu adversário de financiar grupos paramilitares por meio de uma fundação de paz de fachada. De la Espriella nega qualquer conduta criminosa. Seu histórico e seu programa apontam para a mesma direção: o retorno da guerra, da impunidade e da hierarquia.
Não é segredo que De la Espriella adota essa hierarquia. Ele é cidadão americano, declara ter votado em Trump e é republicano nos Estados Unidos. Ele também defende um novo "Plano Colômbia", o retorno de bases militares dos EUA, a dolarização da economia colombiana e o restabelecimento das relações com Israel. O apoio de Trump foi apenas a intervenção mais recente—depois da Argentina e de Honduras—em uma estratégia clara: ajudar a instalar lideranças que já se comprometeram com a ordem de Washington. Sua mensagem aos colombianos foi igualmente clara: sigam o caminho aberto por Petro e pelo Pacto Histórico, e o império fará com que vocês paguem por isso.
Bernie Moreno, senador republicano por Ohio— nascido em Bogotá e criado na Flórida—já havia viajado à Colômbia como observador internacional credenciado para o primeiro turno, ao mesmo tempo em que, segundo relatos, buscava articular alianças entre candidatos de direita. Posteriormente, o Departamento de Estado, sob a influência de Rubio, agiu contra a agenda de Petro em Nova York, bloqueando reuniões e aparições públicas. Em todo o hemisfério, a Doutrina Monroe busca transformar a América Latina novamente em uma reserva estratégica de terras, recursos e mão de obra para o poder dos EUA.
Sob o Petro e o Pacto Histórico, a Colômbia quebrou muitas regras dessa ordem. O primeiro governo de esquerda do país desafiou o genocídio de Israel em Gaza, buscou um caminho além do extrativismo, e colocou a paz, a terra e o trabalho de volta ao centro da política. Como economistas de renome mundial escreveram esta semana, a Colômbia começou a mostrar que outro caminho econômico é possível: maiores salários, redução da pobreza, mão-de-obra mais forte, reforma agrária democrática, política industrial renovada aliada a uma transição energética justa. Para os arquitetos da recolonização, esse exemplo deve ser contido antes que ele se espalhe.
A Internacional Progressista está em Bogotá para o segundo turno das eleições colombianas. Por meio do Observatório, nossa equipe monitora interferências, documenta casos de coerção e trabalha para garantir que o mundo compreenda as forças que agora pressionam a democracia colombiana. Você pode apoiar esse trabalho aqui.
No domingo, colombianos e colombianas irão às urnas. Ao redor deles, Washington tenta projetar sua sombra.
Movimentos da África do Sul resistem ao terror xenofóbico
O Observatório da Internacional Progressista emitiu um Alerta Vermelho sobre a campanha de terror xenofóbico que ameaça a África do Sul. Grupos armados estão expulsando migrantes e comunidades minoritárias de suas casas, comércios, clínicas e escolas. Com milhares de pessoas já deslocadas e um "prazo final"—30 de junho—sendo utilizado para intensificar a intimidação, migrantes vêm sendo transformados em bodes expiatórios de uma crise que não criaram: desemprego em massa, colapso dos serviços públicos, fome e corrupção. Forças progressistas—incluindo Abahlali baseMjondolo, SAFTU e SERI—estão reagindo contra essa tentativa de dividir a classe trabalhadora e de proteger os arquitetos desse empobrecimento da responsabilização. A luta deles é a nossa!
Economistas defendem a transformação da Colômbia
Sessenta e sete economistas, acadêmicos, acadêmicas e especialistas em políticas públicas assinaram uma carta aberta em apoio à transformação econômica da Colômbia sob a gestão do presidente Gustavo Petro. Coordenada pela Internacional Progressista e pelo Centro de Pensamiento Vida, a carta argumenta que a Colômbia começou a traçar um novo caminho para o Sul Global: elevação da renda, redução da pobreza, fortalecimento do mundo do trabalho, promoção de uma reforma agrária democrática, retomada da política industrial e o início, de forma conjunta, de uma transição energética justa. Publicada antes do segundo turno das eleições presidenciais, em 21 de junho, a carta—cujos signatários incluem Thomas Piketty, Jayati Ghosh, Ha-Joon Chang, Yanis Varoufakis, Isabella Weber e Jason Hickel—alerta que a Colômbia se encontra agora diante de uma encruzilhada: o retorno à austeridade, ao extrativismo e à dependência, ou a defesa e o aprofundamento de um projeto de desenvolvimento estruturado em torno do trabalho digno, da reforma agrária, da capacidade estatal e da justiça climática.
Trabalhadores do setor de vestuário conquistam poder de negociação em Bangladesh
Em Bangladesh, trabalhadores da AKH Stitch Art Ltd. obtiveram uma vitória histórica. Em 21 de maio, sob a supervisão do Departamento do Trabalho, o sindicato Sommilito Sramik Union da AKH Stitch Art Ltd. foi eleito como o primeiro representante de negociação coletiva da fábrica, obtendo 1.472 dos 2.230 votos válidos—cerca de dois terços do total de votos computados. A vitória ocorre menos de dezoito meses após o registro oficial do sindicato, marcando um avanço rápido para a liberdade de associação, a democracia no local de trabalho e a negociação coletiva no setor de vestuário de Bangladesh. A Internacional Progressista parabeniza sua organização membro, a Sommilito Garments Sramik Federation, e os trabalhadores cuja organização, unidade e determinação abriram uma nova frente para a melhoria das condições, a defesa de direitos e a construção de poder no chão de fábrica.
15 de junho – A Lei de Espionagem: A Lei de Espionagem foi promulgada nos Estados Unidos em 15 de junho de 1917. “Criaturas da paixão, da deslealdade e da anarquia devem ser esmagadas”, disse o presidente Woodrow Wilson ao instar o Congresso a apoiar a legislação. Por mais de um século, a Lei de Espionagem tem sido usada exatamente para isso: silenciar a dissidência e preservar a continuidade do império dos EUA.
Saiba mais sobre essa ferramenta reacionária aqui.
Miguel Guevara é um artista radicado em Bogotá, natural de Palmira—a capital agrícola da Colômbia, onde seu avô trabalhava no corte de cana-de-açúcar. Guevara recorda a "chuva de cinzas" que caía sobre o bairro de sua infância, resultante da queima de resíduos de cana—prática hoje ilegal e principal fonte de poluição do ar na cidade.
As obras de Guevara abordam a exploração de trabalhadores e trabalhadoras na região, decorrente da expansão capitalista, um processo que remonta ao século XVII. O desenho em destaque, feito com carvão sobre papel artesanal de cana-de-açúcar, intitula-se Quema de Cultivo (Queima da lavoura); no entanto, outras obras da série chamam a atenção para o movimento operário, incluindo as célebres greves na usina de açúcar Riopaila, em 1976.
